domingo, 25 de outubro de 2026
SAÚDE

Saúde feminina: por que o acompanhamento preventivo é importante no Rio Grande do Sul

O acompanhamento preventivo da saúde feminina reúne consultas, exames, vacinação e orientações para diferentes fases da vida. Saiba como buscar atendimento pelo SUS no Rio Grande do Sul e quais cuidados merecem atenção.

O acompanhamento preventivo da saúde feminina não se resume à realização do exame Papanicolau ou à consulta com o ginecologista. Ele reúne cuidados de prevenção, vacinação, acompanhamento clínico, saúde sexual e reprodutiva, planejamento da gravidez, atenção à saúde mental e identificação de sinais que precisam de avaliação profissional.

No Rio Grande do Sul, assim como no restante do país, a porta de entrada preferencial para esses cuidados é a Atenção Primária à Saúde, formada pelas unidades básicas e equipes de saúde da família. A partir desse atendimento, a mulher pode receber orientações, fazer exames disponíveis na rede, atualizar vacinas e ser encaminhada para serviços especializados quando necessário.

O Ministério da Saúde orienta que a atenção integral considere as diferentes fases da vida e as necessidades individuais de cada mulher, incluindo saúde ginecológica, direitos sexuais e reprodutivos, gestação, puerpério, climatério, menopausa, saúde mental e situações de violência. As informações oficiais sobre saúde da mulher podem ser consultadas no portal do governo federal. (gov.br)

O que significa fazer acompanhamento preventivo

O acompanhamento preventivo é o cuidado planejado para reduzir riscos, identificar doenças em fases iniciais e orientar decisões relacionadas à saúde. Ele deve ser individualizado, porque a necessidade de exames e a frequência das consultas podem variar conforme idade, histórico familiar, presença de sintomas, uso de medicamentos, gestação, doenças crônicas e outros fatores.

Mesmo quando não há sintomas, a consulta periódica permite revisar a carteira de vacinação, avaliar a pressão arterial, conversar sobre alimentação, atividade física, sono, saúde mental, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis e métodos contraceptivos. Também é uma oportunidade para esclarecer dúvidas sobre menstruação, dor pélvica, sangramentos, sexualidade, fertilidade, menopausa e mudanças no corpo.

Não existe uma lista única de exames que sirva para todas as mulheres. A indicação deve ser feita por um profissional de saúde, levando em conta os protocolos do SUS e as características de cada paciente. Exames desnecessários podem gerar ansiedade, resultados inconclusivos e procedimentos que não trazem benefício.

Papanicolau e prevenção do câncer do colo do útero

O exame citopatológico do colo do útero, conhecido como Papanicolau ou exame preventivo, identifica alterações nas células do colo do útero que podem evoluir para câncer. O principal fator relacionado à doença é a infecção persistente por tipos de alto risco do HPV, um vírus transmitido principalmente pelo contato sexual.

Nas orientações tradicionalmente adotadas pelo Ministério da Saúde, o exame é indicado para mulheres de 25 a 64 anos que já iniciaram a vida sexual. A recomendação é realizar o exame anualmente no início do rastreamento e, após dois resultados negativos consecutivos, passar para intervalo de três anos. A indicação pode ser modificada conforme a atualização dos protocolos e a situação clínica de cada pessoa. (gov.br)

O Brasil também passou a incorporar o teste molecular para detecção do DNA-HPV como estratégia de rastreamento no SUS. As diretrizes atualizadas preveem a implantação progressiva dessa tecnologia, que pode alterar a forma de rastreamento e os intervalos entre exames conforme a organização de cada rede de saúde. Por isso, é importante confirmar na unidade básica qual método está disponível e qual orientação se aplica ao caso.

O Papanicolau é realizado por profissional capacitado em unidades de saúde. O procedimento costuma ser rápido e pode causar algum desconforto, mas não deve ser motivo para adiar o cuidado. O resultado precisa ser retirado e acompanhado. Quando há alteração, a equipe orienta a repetição do exame ou o encaminhamento para investigação, como a colposcopia.

Mulheres vacinadas contra o HPV também precisam seguir as orientações de rastreamento. A vacina reduz o risco de infecção pelos tipos mais associados a doenças, mas não protege contra todos os tipos do vírus.

Vacinação contra o HPV

A vacina contra o HPV é uma das principais formas de prevenção do câncer do colo do útero e de outras doenças relacionadas ao vírus. No SUS, a vacinação de rotina é oferecida a crianças e adolescentes de 9 a 14 anos em dose única, conforme as orientações vigentes do Programa Nacional de Imunizações.

Também há esquemas específicos para alguns grupos, como pessoas imunodeprimidas, pessoas vivendo com HIV, pacientes oncológicos, vítimas de violência sexual, pessoas com papilomatose respiratória recorrente e usuários de PrEP, de acordo com idade e condição de saúde. Nesses casos, a unidade de vacinação pode solicitar comprovação da situação clínica ou do uso da profilaxia.

O calendário pode ser atualizado pelo Ministério da Saúde. Antes de buscar a vacina, é recomendável verificar a situação na caderneta e confirmar a indicação na unidade de saúde. A vacinação não substitui o uso de preservativos nem o acompanhamento preventivo. (gov.br)

Quando a mamografia é indicada

A mamografia é um exame de imagem utilizado para identificar alterações nas mamas. No rastreamento de mulheres sem sintomas e com risco habitual, o Ministério da Saúde orienta, no SUS, a realização entre 50 e 74 anos, a cada dois anos.

Essa orientação é diferente da investigação de sintomas. Mulheres de qualquer idade que apresentem sinais suspeitos podem ser encaminhadas para mamografia ou outros exames, conforme avaliação profissional. O SUS não restringe o acesso ao exame quando há indicação clínica.

Entre as alterações que exigem avaliação estão caroço persistente, mudança no formato ou no tamanho da mama, retração da pele ou do mamilo, saída espontânea de secreção sanguinolenta, ferida que não cicatriza e aumento de gânglios na axila. Nem toda alteração significa câncer, mas a investigação não deve ser adiada.

A recomendação de rastreamento pode ser diferente para mulheres com histórico familiar importante, mutações genéticas, tratamento anterior de câncer ou outros fatores de alto risco. Nesses casos, o acompanhamento deve ser individualizado. (gov.br)

Cuidados em diferentes fases da vida

Adolescência

Na adolescência, o atendimento pode abordar vacinação, saúde menstrual, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, contracepção, consentimento, violência e saúde mental. A conversa deve ocorrer em ambiente acolhedor e respeitoso, com proteção da privacidade conforme as normas do serviço.

Vida reprodutiva

Durante a vida reprodutiva, o acompanhamento pode incluir planejamento familiar, escolha de métodos contraceptivos, prevenção e testagem para infecções sexualmente transmissíveis, avaliação de alterações menstruais e orientação para uma gestação segura quando houver esse desejo.

O preservativo interno ou externo ajuda a reduzir o risco de HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis e também contribui para diminuir o risco de transmissão do HPV. A equipe de saúde pode orientar sobre testagem, vacinação e medidas de prevenção antes e depois de uma exposição de risco.

Gestação e pós-parto

O pré-natal deve começar assim que a gravidez for identificada ou quando houver suspeita. Consultas, exames, vacinação e orientações ajudam a acompanhar a saúde da gestante e do bebê. Depois do parto, o retorno também é importante para avaliar a recuperação, a amamentação, a saúde mental, o planejamento reprodutivo e possíveis sinais de complicação.

Climatério e menopausa

No climatério e na menopausa, podem surgir alterações no ciclo menstrual, ondas de calor, mudanças no sono, ressecamento vaginal, alterações de humor e impacto na sexualidade. A consulta permite discutir opções de tratamento, prevenção de doenças cardiovasculares e ósseas e cuidados que devem continuar mesmo após o fim da menstruação.

Sinais que exigem atendimento

O rastreamento é destinado principalmente a pessoas sem sintomas. Quando há sinais persistentes ou intensos, a mulher deve procurar atendimento mesmo que o exame preventivo esteja em dia.

  • sangramento vaginal fora do período menstrual, após a relação sexual ou depois da menopausa;
  • corrimento persistente, com odor forte, coceira ou dor;
  • dor pélvica frequente ou intensa;
  • caroço, retração, ferida ou alteração na pele da mama;
  • dor ou ardência ao urinar que não melhora;
  • perda de peso sem explicação, cansaço intenso ou febre persistente;
  • tristeza profunda, ansiedade incapacitante ou pensamentos de autolesão.

Em situações de dor intensa, sangramento importante, falta de ar, desmaio, suspeita de violência ou risco imediato, a orientação é buscar atendimento de urgência. A unidade básica pode orientar os próximos passos e realizar o encaminhamento adequado quando não houver emergência.

Como buscar atendimento no SUS no Rio Grande do Sul

A mulher pode procurar a unidade básica de saúde de referência do município para solicitar uma avaliação. É útil levar documento de identificação, cartão do SUS, carteira de vacinação, resultados anteriores e informações sobre medicamentos em uso. A falta de algum documento não deve impedir a busca por orientação; a unidade informará como regularizar o cadastro.

Na consulta, informe a data do último Papanicolau ou mamografia, resultados anteriores, histórico familiar de câncer, doenças crônicas, alergias, uso de contraceptivos e eventual possibilidade de gravidez. Também relate sintomas mesmo que pareçam sem relação com a consulta.

Quando há alteração nos exames de mama ou do colo do útero, o encaminhamento para atendimento especializado depende do fluxo municipal e regional. No Rio Grande do Sul, o SERMulher RS atende pessoas encaminhadas pela Atenção Primária em situações como alterações em exames de rastreamento, suspeita de doenças ginecológicas, investigação de infertilidade e climatério. O acesso ocorre por encaminhamento dos profissionais da rede. (saude.rs.gov.br)

Cuidados para manter a prevenção em dia

  • guarde os resultados dos exames e registre a data do próximo acompanhamento;
  • mantenha a carteira de vacinação atualizada;
  • não interrompa a investigação após um resultado alterado;
  • não faça exames por conta própria sem orientação profissional;
  • procure atendimento diante de sintomas persistentes;
  • use preservativo e converse com a equipe sobre testagem para ISTs;
  • informe mudanças de medicamentos, gravidez, amamentação ou histórico familiar;
  • participe das consultas mesmo quando não houver queixas.

O acompanhamento preventivo da saúde feminina é contínuo e deve respeitar a idade, a história clínica, a identidade, a orientação sexual e as necessidades de cada pessoa. A prevenção não elimina todos os riscos, mas aumenta a possibilidade de identificar alterações cedo e de iniciar o cuidado no momento adequado.

As recomendações de exames e vacinação podem ser atualizadas. Por isso, a referência mais segura é a equipe da unidade básica de saúde e os canais oficiais do Ministério da Saúde e da Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul.