A saúde cardiovascular depende de um conjunto de cuidados que podem ser incorporados à rotina antes do aparecimento de sintomas. Alimentação equilibrada, atividade física regular, controle da pressão arterial, acompanhamento do colesterol e do diabetes e abandono do tabagismo estão entre as principais medidas de prevenção de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outras doenças que afetam o coração e os vasos sanguíneos.
No Rio Grande do Sul, a orientação da Atenção Primária à Saúde é que a população procure as Unidades Básicas de Saúde (UBS) para avaliação periódica e acompanhamento dos fatores de risco. O cuidado preventivo permite identificar alterações que muitas vezes não provocam sinais claros, como hipertensão, colesterol elevado e glicemia alterada.
Por que a prevenção cardiovascular é importante
As doenças cardiovasculares estão relacionadas a alterações no coração e na circulação. Entre os problemas mais conhecidos estão o infarto agudo do miocárdio, o AVC, a insuficiência cardíaca e as doenças das artérias periféricas.
Alguns fatores de risco não podem ser modificados, como idade, histórico familiar e determinadas características individuais. Outros, porém, podem ser prevenidos ou controlados com mudanças de hábitos e tratamento adequado. Segundo a Atenção Primária do Rio Grande do Sul, alimentação inadequada, sedentarismo, tabagismo e consumo nocivo de álcool favorecem o surgimento de pressão alta, glicemia elevada, colesterol alterado, sobrepeso e obesidade.
A combinação desses fatores aumenta o risco de ataque cardíaco, derrame e outras complicações. Por isso, a prevenção não deve ser associada apenas a uma dieta ou a um exercício isolado, mas a um acompanhamento contínuo da saúde.
Controle a pressão arterial
A hipertensão arterial é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. Muitas pessoas não sentem nada mesmo quando a pressão está elevada, razão pela qual a doença é frequentemente chamada de silenciosa. Sem acompanhamento, ela pode contribuir para o desenvolvimento de infarto, AVC, doença renal e insuficiência cardíaca.
A aferição da pressão deve ser feita em condições adequadas e interpretada por um profissional de saúde. Uma medida isolada não é suficiente, em todos os casos, para confirmar o diagnóstico. Quando há alteração, a equipe pode recomendar novas medições, avaliação clínica e exames complementares.
Quem já recebeu diagnóstico de hipertensão deve seguir o tratamento indicado, tomar os medicamentos conforme a prescrição e não interromper o uso por conta própria. Também é importante comparecer às consultas e informar à equipe sobre efeitos adversos, dificuldades para manter a rotina ou mudanças no estado de saúde.
Adote uma alimentação favorável ao coração
A alimentação exerce influência sobre a pressão arterial, o peso, o colesterol e a glicemia. Para melhorar a qualidade da dieta, a recomendação geral é priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijões, cereais e preparações feitas em casa.
O consumo de sal deve ser reduzido, especialmente por meio da diminuição de alimentos muito salgados e produtos ultraprocessados. Caldos prontos, temperos industrializados, embutidos, macarrão instantâneo, salgadinhos, biscoitos recheados e refeições prontas podem conter grandes quantidades de sódio, açúcar e gorduras.
Uma forma prática de começar é substituir parte do sal por alho, cebola, ervas, limão, cheiro-verde e outros temperos naturais. A redução deve ocorrer de maneira progressiva, para que o paladar se adapte. Também é importante observar os rótulos e comparar a quantidade de sódio por porção.
O Ministério da Saúde orienta manter o peso adequado, evitar o excesso de sal, moderar o consumo de álcool, evitar alimentos muito gordurosos e controlar o diabetes como parte da prevenção da hipertensão e de suas complicações.
Faça atividade física com regularidade
A atividade física ajuda no controle do peso, da pressão arterial, da glicemia e de outros fatores associados ao risco cardiovascular. Ela pode incluir caminhada, dança, bicicleta, natação, exercícios de fortalecimento, deslocamentos ativos e outras práticas adequadas à condição de cada pessoa.
O Guia de Atividade Física para a População Brasileira recomenda, para adultos, pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa, ou uma combinação equivalente. Exercícios de fortalecimento dos principais grupos musculares também podem ser realizados em dois ou mais dias da semana.
Essa meta pode ser dividida em períodos menores ao longo dos dias. Para quem está parado, começar com sessões curtas e aumentar gradualmente costuma ser mais adequado do que tentar atingir a meta de uma só vez. O mais importante é criar uma rotina possível e sustentável.
Pessoas com doença cardiovascular conhecida, sintomas durante o esforço, hipertensão não controlada, diabetes ou outras condições clínicas devem conversar com a equipe de saúde antes de iniciar exercícios intensos. Dor no peito, falta de ar importante, tontura ou mal-estar durante a atividade exigem interrupção e avaliação.
Não fume e evite a exposição à nicotina
O tabagismo prejudica os vasos sanguíneos, favorece a formação de placas de gordura nas artérias e aumenta o risco de infarto e AVC. O risco também está relacionado a outros produtos que contêm nicotina ou envolvem inalação de fumaça e aerossóis.
Parar de fumar pode ser difícil porque a nicotina causa dependência. Isso não significa que a pessoa deva tentar abandonar o hábito sozinha ou desistir diante de recaídas. A UBS pode oferecer orientação, acompanhamento e encaminhamento conforme a organização da rede local.
Familiares e amigos podem ajudar evitando cobranças, retirando cigarros e cinzeiros do ambiente e apoiando a pessoa durante os momentos de vontade intensa. A exposição à fumaça do cigarro também deve ser reduzida dentro de casa e em outros espaços compartilhados.
Acompanhe colesterol, diabetes e peso
Colesterol elevado e diabetes podem evoluir sem sintomas durante muito tempo. Por isso, a avaliação deve considerar a idade, o histórico familiar, o peso, a pressão arterial, os hábitos de vida e outras condições de saúde.
O acompanhamento pode incluir exames de sangue e avaliação clínica, conforme indicação profissional. O resultado deve ser interpretado dentro do conjunto de fatores de risco, e não isoladamente. Não é recomendável iniciar estatinas, medicamentos para diabetes ou qualquer outro tratamento sem orientação.
O controle do peso deve ser feito com metas realistas e sem dietas restritivas adotadas por conta própria. Reduções graduais, acompanhadas por profissionais quando necessário, podem contribuir para melhorar a pressão, a glicemia e o colesterol. O foco deve ser a saúde e a manutenção de hábitos possíveis no longo prazo.
Cuide do sono, do estresse e do consumo de álcool
O descanso adequado, a redução do estresse e a moderação no consumo de álcool também fazem parte da prevenção. Noites mal dormidas, rotina excessivamente estressante e uso frequente de bebidas alcoólicas podem dificultar o controle da pressão, do peso e da glicemia.
Organizar horários, manter um ambiente favorável ao sono, fazer pausas durante o dia e reservar tempo para lazer são medidas que podem ajudar. Quando há ansiedade persistente, tristeza intensa, insônia frequente ou dificuldade para controlar o consumo de álcool, é importante buscar apoio na rede de saúde.
Como acessar o cuidado preventivo no Rio Grande do Sul
A porta de entrada preferencial do Sistema Único de Saúde é a Unidade Básica de Saúde, onde a pessoa pode solicitar avaliação, aferir a pressão, atualizar vacinas quando indicado, receber orientações e verificar a necessidade de exames ou encaminhamento.
No Rio Grande do Sul, a Secretaria Estadual da Saúde informa que a rede de atendimento inclui atenção básica, Estratégia Saúde da Família, ambulatórios especializados, hospitais e serviços de urgência e emergência. O acompanhamento deve ser contínuo, especialmente para quem já tem hipertensão, diabetes, colesterol elevado ou histórico de doença cardiovascular.
Na consulta, informe doenças anteriores, medicamentos em uso, casos de infarto ou AVC na família, hábito de fumar, consumo de álcool, rotina de atividade física e alimentação. Levar exames anteriores e uma lista dos medicamentos facilita a avaliação.
Reconheça os sinais de infarto e AVC
A prevenção reduz riscos, mas não elimina completamente a possibilidade de uma emergência. Dor, pressão ou aperto no peito, especialmente quando se espalha para braço, pescoço, mandíbula ou estômago, pode indicar infarto. Suor frio, palidez, falta de ar, náusea, vômito, desmaio ou mal-estar intenso também são sinais de alerta.
Em caso de suspeita de infarto, ligue para o SAMU, pelo número 192, ou procure imediatamente um serviço de emergência. O Ministério da Saúde ressalta que a rapidez do atendimento é decisiva. Em pessoas idosas e com diabetes, o infarto pode apresentar sintomas menos típicos, como falta de ar ou mal-estar súbito.
O AVC pode provocar fraqueza ou formigamento em um lado do corpo, alteração da fala ou da compreensão, confusão, dificuldade para enxergar, perda de equilíbrio, tontura ou dor de cabeça súbita e intensa. Diante de qualquer um desses sinais, acione o SAMU pelo 192 ou procure atendimento imediatamente. Mais informações estão disponíveis na página do Ministério da Saúde sobre AVC.
Prevenção começa com mudanças possíveis
Cuidar da saúde cardiovascular não exige transformar toda a rotina de uma vez. Reduzir o sal, caminhar alguns minutos, marcar uma avaliação na UBS, parar de fumar com apoio e seguir corretamente o tratamento prescrito são passos concretos.
A melhor estratégia é identificar o hábito mais fácil de modificar, estabelecer uma meta realista e acompanhar a evolução. Com orientação profissional e continuidade, pequenas mudanças podem contribuir para proteger o coração e reduzir o risco de complicações ao longo da vida.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento feito por profissional habilitado.








