domingo, 25 de outubro de 2026
SAÚDE

Exames preventivos: por que a população do Rio Grande do Sul deve manter a saúde em dia

Exames preventivos permitem detectar alterações em fases iniciais e orientar o tratamento adequado. Saiba quais cuidados fazem parte da prevenção, como acessar o SUS no Rio Grande do Sul e por que não existe uma lista única de exames para toda a população.

Manter os exames preventivos em dia é uma das principais formas de cuidar da saúde antes que uma doença provoque sintomas. A avaliação periódica pode identificar alterações na pressão arterial, na glicemia, no colesterol, em exames ginecológicos e em diferentes tipos de rastreamento de câncer.

Para a população do Rio Grande do Sul, o acesso começa, em geral, pela Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência. No Sistema Único de Saúde (SUS), a equipe de atenção primária avalia a idade, o histórico familiar, os hábitos de vida, as vacinas e as condições clínicas de cada pessoa. A partir dessa análise, define quais exames são necessários e em que intervalo devem ser realizados.

Não existe, portanto, uma lista universal de exames que deva ser feita por todas as pessoas todos os anos. A prevenção deve ser individualizada para evitar tanto a falta de cuidados importantes quanto a realização de testes sem indicação.

O que são exames preventivos

Exames preventivos são avaliações realizadas para acompanhar a saúde, identificar fatores de risco ou encontrar doenças em fases iniciais. Em alguns casos, o objetivo é detectar uma condição ainda sem sintomas. Em outros, o exame é solicitado porque a pessoa apresenta sinais, histórico familiar ou alguma alteração observada em consulta.

É importante diferenciar rastreamento de investigação diagnóstica. O rastreamento é voltado a pessoas sem sintomas que pertencem a um grupo para o qual determinado exame demonstrou benefício. Já a investigação diagnóstica ocorre quando há queixas ou sinais que precisam ser esclarecidos.

Um resultado alterado não significa, necessariamente, que a pessoa tenha uma doença grave. Muitas vezes, é preciso repetir o teste ou realizar exames complementares. Por isso, o resultado deve ser avaliado por um profissional de saúde, que também orientará o acompanhamento.

Por que a prevenção é importante

Doenças como hipertensão e diabetes podem permanecer sem sintomas por bastante tempo. Quando não são identificadas, podem aumentar o risco de problemas cardiovasculares, renais, neurológicos e oculares. A aferição da pressão e a avaliação clínica ajudam a reconhecer esses riscos e a iniciar o cuidado adequado.

No caso do câncer, a detecção precoce pode aumentar as possibilidades de tratamento e, em algumas situações, permitir a identificação de lesões que ainda não evoluíram para um tumor. O Instituto Nacional de Câncer explica que a prevenção secundária inclui detectar e tratar alterações pré-malignas ou cânceres assintomáticos em estágio inicial. (gov.br)

A prevenção também envolve vacinação, alimentação adequada, atividade física, controle do peso, redução do consumo de álcool, não fumar e proteção contra a exposição excessiva ao sol. Os exames não substituem esses cuidados e tampouco eliminam todos os riscos de adoecimento.

Exame preventivo do colo do útero

O rastreamento do câncer do colo do útero é indicado para mulheres e outras pessoas que tenham colo do útero, entre 25 e 64 anos, que já tenham iniciado a vida sexual. A recomendação considera também homens trans e pessoas não binárias designadas mulheres ao nascer, que devem receber atendimento com respeito e sem discriminação.

O teste molecular para detecção do DNA-HPV oncogênico passou a ser adotado como exame primário nas novas diretrizes brasileiras. Quando o resultado é negativo, o intervalo previsto pode chegar a cinco anos, conforme a organização do serviço e o protocolo aplicado. Onde o teste ainda não estiver disponível, o exame citopatológico, conhecido como Papanicolau, continua sendo uma alternativa segura e eficaz. (gov.br)

A pessoa deve procurar a UBS para saber qual método está disponível e qual periodicidade será indicada. Mesmo quem recebeu a vacina contra o HPV precisa seguir o rastreamento, porque a vacina não protege contra todos os tipos do vírus relacionados ao câncer.

Corrimento persistente, sangramento fora do período menstrual, dor durante a relação sexual ou lesões na região genital não devem esperar o próximo exame preventivo. Esses sinais precisam ser avaliados por um profissional de saúde.

Mamografia e cuidados com as mamas

Para mulheres sem sintomas e com risco habitual, o INCA recomenda a mamografia de rastreamento entre 50 e 69 anos, geralmente a cada dois anos. A indicação pode ser diferente para pessoas com histórico pessoal de câncer, casos na família, alterações genéticas ou outros fatores de alto risco.

A mamografia é o principal exame utilizado no rastreamento populacional do câncer de mama. Ela pode identificar alterações que ainda não são percebidas pelo toque, mas também pode produzir resultados falso-positivos e levar a exames complementares. Por isso, a realização deve seguir a orientação da equipe de saúde e o protocolo adotado pelo serviço. (gov.br)

Nódulo persistente, retração da pele ou do mamilo, saída espontânea de secreção com sangue e mudança recente no formato da mama exigem avaliação, independentemente da idade ou da data da última mamografia. O autoexame não substitui a consulta nem o rastreamento indicado.

Prevenção do câncer de intestino

Em 2026, o Ministério da Saúde anunciou um novo protocolo nacional para o rastreamento do câncer colorretal no SUS. O teste imunoquímico fecal, conhecido pela sigla FIT, passou a ser o exame de referência para homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos, conforme a oferta e a organização da rede de saúde.

O teste procura sinais de sangue nas fezes que podem indicar a necessidade de investigação. Um resultado positivo não confirma câncer, mas geralmente exige avaliação complementar, que pode incluir colonoscopia. Pessoas com histórico familiar importante, doenças inflamatórias intestinais ou síndromes hereditárias podem precisar de acompanhamento especializado e critérios diferentes. (gov.br)

Sangue nas fezes, alteração persistente do hábito intestinal, dor abdominal, perda de peso sem causa aparente, anemia ou mudança no formato das fezes devem ser investigados. Nesses casos, não se trata apenas de fazer um exame de rastreamento, mas de buscar avaliação clínica.

Acompanhamento da pressão, da glicemia e do colesterol

A consulta de rotina na atenção primária permite medir a pressão arterial, verificar o peso, avaliar o risco cardiovascular e discutir hábitos de vida. A equipe pode solicitar exames de sangue, como glicemia e perfil lipídico, conforme a idade, os sintomas, o histórico familiar e outras condições.

Pessoas com obesidade, sedentarismo, hipertensão, diabetes, doença renal, histórico de infarto ou acidente vascular cerebral podem necessitar de acompanhamento mais frequente. Gestantes, idosos e pessoas que usam medicamentos contínuos também devem seguir um plano de cuidado individualizado.

Não é recomendável fazer exames laboratoriais por conta própria ou interpretar isoladamente um número fora da referência. O resultado precisa ser relacionado ao quadro clínico e às características de cada pessoa.

Vacinação também faz parte da prevenção

A vacinação é uma medida preventiva essencial em todas as fases da vida. O Calendário Nacional de Vacinação inclui orientações para crianças, adolescentes, adultos, idosos e gestantes. As vacinas de rotina são oferecidas durante todo o ano nas unidades de saúde, de acordo com a disponibilidade e os critérios definidos pelo Programa Nacional de Imunizações.

Adultos devem conferir se estão protegidos, entre outras doenças, contra tétano, difteria, hepatite B, febre amarela, sarampo, caxumba e rubéola, conforme a faixa etária, o histórico de doses, a situação epidemiológica e as condições individuais. A vacina contra o HPV também é uma ferramenta de prevenção do câncer do colo do útero e de outras doenças relacionadas ao vírus. (gov.br)

Quem perdeu a caderneta de vacinação deve procurar uma unidade de saúde. A ausência do documento não impede a avaliação e a atualização das vacinas indicadas, segundo o Ministério da Saúde.

Como acessar os exames pelo SUS no Rio Grande do Sul

O primeiro passo é procurar a UBS mais próxima da residência ou o serviço indicado pela prefeitura do município. A equipe de saúde pode realizar a avaliação inicial, verificar a situação vacinal, solicitar exames quando houver indicação e encaminhar a pessoa para outros pontos da rede.

Para o atendimento, é recomendável levar documento de identificação, Cartão SUS, caderneta de vacinação, receitas e resultados de exames anteriores. A exigência de documentos e a forma de agendamento podem variar entre os municípios do Rio Grande do Sul. Por isso, a orientação deve ser confirmada diretamente na unidade ou nos canais oficiais da Secretaria Municipal de Saúde.

Depois de realizar o exame, é fundamental buscar o resultado e seguir as orientações. Um dos problemas da prevenção é interromper o cuidado após a coleta, sem concluir a investigação ou o tratamento quando há alguma alteração.

Quando procurar atendimento antes do exame de rotina

Os exames preventivos não devem ser usados para adiar a consulta quando surgem sintomas. Procure atendimento diante de dor persistente, falta de ar, sangramentos anormais, perda de peso sem explicação, febre prolongada, feridas que não cicatrizam, alterações nas mamas, sangue nas fezes ou mudanças persistentes no funcionamento do intestino.

Em situações de emergência, como dor intensa no peito, dificuldade súbita para respirar, fraqueza em um lado do corpo ou alteração repentina da fala, a orientação é buscar atendimento imediato pelos serviços de urgência.

Prevenção deve ser contínua

Manter a saúde em dia não significa realizar todos os exames disponíveis. Significa estabelecer um acompanhamento regular, reconhecer os fatores de risco e seguir as recomendações adequadas para cada fase da vida.

Para quem vive no Rio Grande do Sul, a atenção primária do SUS é a principal porta de entrada para organizar esse cuidado. A consulta, a atualização das vacinas, o controle de doenças crônicas e os rastreamentos indicados formam um conjunto de medidas que pode reduzir complicações e favorecer o diagnóstico precoce.

Em caso de dúvida, procure a UBS de referência e informe seu histórico familiar, os medicamentos utilizados, os sintomas recentes e os exames já realizados. Essa conversa ajuda a definir uma prevenção mais segura, acessível e adequada às necessidades de cada pessoa.

Fontes oficiais: informações do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional de Câncer.