domingo, 25 de outubro de 2026
SAÚDE

Doenças respiratórias: quando procurar atendimento médico no Rio Grande do Sul

Saiba reconhecer os sinais de alerta das doenças respiratórias, quando procurar uma unidade de saúde e em quais situações chamar o SAMU 192 no Rio Grande do Sul.

Nem todo quadro de tosse, coriza ou dor de garganta exige atendimento de emergência. No entanto, alguns sintomas podem indicar agravamento de uma infecção respiratória e precisam ser avaliados rapidamente por um profissional de saúde.

Entre os principais sinais de alerta estão falta de ar, respiração muito rápida, dor ou pressão persistente no peito, lábios ou rosto arroxeados, confusão mental, sonolência excessiva e piora importante de uma doença crônica. Nessas situações, a orientação é procurar atendimento imediatamente. Em casos de urgência ou risco de vida, o SAMU 192 deve ser acionado.

O que são doenças respiratórias

Doenças respiratórias são condições que atingem as vias aéreas e os pulmões. Elas podem ser causadas por vírus, bactérias, alergias, poluição, fumaça e outros fatores. Entre os quadros mais comuns estão resfriados, gripe, covid-19, bronquite, bronquiolite, pneumonia, asma e doença pulmonar obstrutiva crônica, conhecida como DPOC.

Os sintomas variam conforme a causa e a condição de saúde da pessoa. Febre, tosse, coriza, dor de garganta, dor de cabeça, cansaço, chiado e congestão nasal são frequentes em infecções respiratórias. A Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul considera síndrome gripal a presença de pelo menos dois sintomas, como febre ou calafrios, tosse, coriza, dor de garganta, dor de cabeça ou alterações no olfato e no paladar.

Na maioria dos casos leves, a pessoa pode ser acompanhada em casa, com hidratação, repouso e observação da evolução. Mas a persistência ou a piora dos sintomas exige avaliação em um serviço de saúde, conforme orienta o guia básico da Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul.

Quando procurar atendimento médico

A consulta ou avaliação em uma unidade de saúde é indicada quando os sintomas são intensos, persistentes ou diferentes do quadro habitual da pessoa. Tosse persistente, com ou sem sangue, dificuldade para respirar, febre acima de 38 °C e chiado no peito estão entre os sinais que justificam procurar atendimento médico, segundo o Ministério da Saúde.

Também é importante buscar avaliação quando a febre não melhora, quando a tosse se intensifica, quando há redução da ingestão de líquidos ou alimentos ou quando a pessoa sente que está muito debilitada. A decisão sobre exames, medicação e necessidade de encaminhamento deve ser feita por profissionais de saúde.

Pessoas com asma, DPOC, doenças cardíacas, doenças renais, diabetes, imunossupressão ou outras condições crônicas devem procurar orientação com mais rapidez diante de uma piora respiratória. A mesma atenção vale para gestantes, idosos, bebês e crianças pequenas.

Sinais de emergência: quando chamar o SAMU 192

Alguns sinais indicam que não é seguro esperar uma consulta de rotina ou se deslocar sem orientação. O SAMU 192 é um serviço gratuito, disponível 24 horas por dia, para situações de urgência e emergência. A ligação é atendida por uma central de regulação, que orienta a pessoa e avalia a necessidade de envio de ambulância.

Em problemas respiratórios, o serviço deve ser acionado principalmente quando houver:

  • falta de ar intensa ou dificuldade para respirar;
  • respiração muito rápida ou esforço visível para respirar;
  • lábios, rosto, unhas ou pontas dos dedos arroxeados ou azulados;
  • dor ou pressão persistente no peito;
  • confusão mental, desmaio ou sonolência fora do habitual;
  • piora súbita de uma doença respiratória ou cardíaca já conhecida;
  • incapacidade de falar frases completas por falta de ar;
  • tosse com sangue associada a falta de ar ou piora do estado geral.

A orientação oficial do Ministério da Saúde inclui problemas cardiorrespiratórios entre as situações para as quais o SAMU pode ser chamado. Durante a ligação, é importante informar o endereço ou ponto de referência, descrever os sintomas e permanecer junto da pessoa, se possível, para responder às perguntas do médico regulador.

Atenção à saturação de oxigênio

A saturação de oxigênio pode ser medida por um oxímetro, aparelho colocado geralmente na ponta do dedo. Em quadros gripais, valores abaixo de 94% em ar ambiente são considerados sinal de gravidade em referências da Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul e devem motivar avaliação imediata.

O resultado, porém, não deve ser interpretado isoladamente. A medição pode sofrer interferência por mãos frias, esmalte, movimento, posicionamento inadequado do aparelho e outros fatores. Além disso, uma pessoa pode estar em situação grave mesmo sem ter um valor baixo no oxímetro. Falta de ar, alteração da consciência, coloração arroxeada e dor no peito exigem atendimento independentemente da medição.

Não se deve atrasar a busca por atendimento para repetir várias vezes o exame ou tentar corrigir o número em casa. Em caso de dúvida e presença de sintomas importantes, procure orientação profissional.

Quando o paciente é uma criança

Em bebês e crianças pequenas, a dificuldade respiratória pode evoluir rapidamente. Os responsáveis devem observar respiração acelerada, esforço para respirar, retração da pele entre as costelas ou abaixo delas, batimento das asas do nariz, chiado intenso, lábios arroxeados e dificuldade para mamar ou beber líquidos.

Sonolência excessiva, irritabilidade incomum, redução da urina, recusa persistente de alimentos e líquidos e piora da febre também precisam ser comunicadas a um profissional. No caso do vírus sincicial respiratório, o Ministério da Saúde destaca que bebês, especialmente os menores de 2 anos, podem apresentar maior risco de complicações.

Se a criança estiver com dificuldade para respirar, arroxeada, muito sonolenta ou sem conseguir se alimentar, a busca por atendimento deve ser imediata. Em situações de urgência, o SAMU 192 pode orientar o transporte mais adequado.

Idosos e pessoas com doenças crônicas

Em idosos, uma infecção respiratória nem sempre provoca febre alta. Confusão mental, sonolência, perda de apetite, fraqueza intensa e piora repentina da capacidade de realizar atividades cotidianas podem ser sinais de agravamento.

Quem tem asma ou DPOC deve observar aumento da falta de ar, piora da tosse, maior produção de secreção, alteração da cor do catarro ou necessidade de usar o medicamento de alívio com mais frequência. A piora que não responde ao tratamento previamente prescrito precisa ser avaliada.

Não é recomendável iniciar antibióticos, corticoides ou outros medicamentos por conta própria. Esses remédios podem não ser indicados para a causa do quadro e podem provocar efeitos adversos ou atrasar o diagnóstico correto.

Qual serviço procurar no Rio Grande do Sul

Em sintomas leves, sem sinais de emergência, a pessoa pode procurar a unidade básica de saúde de referência do município para avaliação e orientação. Dependendo da organização local da rede, também podem estar disponíveis unidades de pronto atendimento, pronto-socorros e serviços hospitalares.

O portal de serviços da Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul reúne informações sobre unidades de saúde, unidades de pronto atendimento, hospitais, farmácias públicas e outros serviços. A oferta e o fluxo de atendimento podem variar conforme o município.

Se houver falta de ar importante, coloração arroxeada, dor no peito, alteração da consciência ou outro sinal de risco, não espere uma consulta agendada. Ligue para o SAMU 192 ou vá imediatamente a um serviço de emergência, conforme a gravidade e as orientações recebidas.

Como se preparar para o atendimento

Ao procurar uma unidade de saúde, informe quando os sintomas começaram, se houve contato com alguém doente, quais medicamentos foram usados e se a pessoa tem doenças crônicas, alergias ou vacinação incompleta. Também é útil levar documentos, receitas e a lista de medicamentos de uso contínuo, quando possível.

Durante o deslocamento e no atendimento, pessoas com sintomas respiratórios devem seguir as orientações da equipe de saúde sobre o uso de máscara. A Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul recomenda que pessoas com sintomas gripais sejam identificadas e que o profissional seja avisado para avaliar o caso.

Evite ir ao trabalho, à escola ou a locais cheios enquanto estiver com sintomas respiratórios. Cubra o nariz e a boca ao tossir ou espirrar, higienize as mãos e mantenha os ambientes ventilados. Essas medidas ajudam a reduzir a transmissão, mas não substituem a avaliação médica diante de sinais de agravamento.

O que não fazer em casa

  • não espere a falta de ar piorar para buscar ajuda;
  • não use antibióticos ou corticoides sem prescrição;
  • não compartilhe medicamentos, nebulizadores ou objetos pessoais;
  • não interrompa tratamento contínuo sem orientação;
  • não ignore confusão mental, sonolência intensa ou dificuldade para beber líquidos;
  • não transporte sozinho uma pessoa com sinais de emergência se houver possibilidade de acionar o SAMU.

Os sintomas respiratórios podem ter causas diferentes e a mesma queixa pode evoluir de formas distintas em cada pessoa. A orientação mais segura é observar o estado geral, reconhecer os sinais de alerta e buscar atendimento no momento adequado. Em caso de dificuldade para respirar ou risco de vida, ligue para o SAMU 192.