Planejar uma viagem ou passeio pelo Rio Grande do Sul também envolve cuidar da saúde. A prevenção deve considerar o tempo de deslocamento, o tipo de atividade, as condições climáticas, o contato com áreas rurais ou de mata e a possibilidade de chuva, alagamentos e mudanças bruscas de temperatura.
Antes de sair, é importante conferir a situação vacinal, organizar medicamentos de uso contínuo e separar itens básicos, como água, protetor solar, repelente, roupas adequadas e calçados seguros. Durante o passeio, a atenção à hidratação, à alimentação e aos sinais do corpo ajuda a reduzir o risco de mal-estar, acidentes e doenças.
As orientações abaixo seguem recomendações do Ministério da Saúde e da Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul. Elas não substituem avaliação médica individual.
Revise as vacinas antes da viagem
A preparação para a viagem é uma oportunidade para verificar se as vacinas de rotina estão atualizadas. O Ministério da Saúde recomenda que o viajante mantenha o Cartão de Vacinas em dia tanto para deslocamentos dentro do Brasil quanto para viagens internacionais.
No Rio Grande do Sul, a Secretaria da Saúde informa que os 497 municípios são áreas com recomendação para vacinação contra a febre amarela. A vacina está disponível na rede pública, conforme as indicações do Programa Nacional de Imunizações. Para viagens a áreas de risco, a aplicação deve ocorrer, em geral, pelo menos dez dias antes do deslocamento, período necessário para o desenvolvimento da proteção.
Quem perdeu o cartão pode procurar uma unidade de vacinação para recuperar o histórico ou receber orientação sobre a segunda via. A ausência do documento não impede automaticamente a avaliação do esquema vacinal. Crianças, idosos, gestantes, pessoas imunossuprimidas e indivíduos com doenças crônicas devem receber orientação específica de um profissional de saúde.
Em viagens internacionais, além do cartão atualizado, alguns países podem exigir o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia. As exigências variam conforme o destino e podem mudar, por isso devem ser verificadas com antecedência nos canais oficiais do país visitado e nas orientações da Anvisa.
Monte uma pequena bolsa de saúde
Medicamentos de uso contínuo devem ser levados em quantidade suficiente para todo o período do passeio, preferencialmente na embalagem original e acompanhados da receita ou de documento que identifique o tratamento. Em deslocamentos mais longos, é prudente levar os remédios na bagagem de mão, quando possível, para evitar perda em caso de extravio.
Também podem ser úteis itens básicos, como curativos, gaze, álcool em gel, termômetro, protetor solar, repelente e medicamentos que já tenham sido orientados por um profissional para situações específicas. Não é recomendado iniciar antibióticos, corticoides ou outros medicamentos por conta própria.
Pessoas com diabetes, alergias graves, epilepsia, doenças cardiovasculares ou outras condições que exigem cuidados permanentes devem carregar informações essenciais sobre o tratamento e os contatos de emergência. Em viagens com crianças, vale separar documentos, cartão de vacinação e medicamentos prescritos individualmente.
Cuide da hidratação e da exposição ao sol
A ingestão regular de líquidos é uma das principais medidas para evitar desidratação durante caminhadas, visitas a parques, trilhas, praias, eventos ao ar livre e deslocamentos prolongados. A necessidade aumenta em dias quentes, durante atividades físicas e quando há sudorese intensa.
Leve água de fonte segura e faça pausas em locais protegidos. Sede intensa, boca seca, tontura, fraqueza, dor de cabeça, urina escura e redução da frequência urinária podem indicar desidratação. Em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, a atenção deve ser redobrada.
Para reduzir os efeitos da radiação solar, use roupas adequadas, boné ou chapéu, óculos escuros e protetor solar conforme as instruções do fabricante. A proteção deve ser renovada, especialmente após suor intenso ou contato com água. Mesmo em dias frios ou nublados, a exposição pode causar danos à pele.
Evite permanecer por longos períodos sob sol intenso e procure áreas de sombra durante os horários de maior radiação. Queimaduras extensas, bolhas, confusão mental, desmaio e temperatura corporal muito elevada exigem atendimento médico.
Use roupas adequadas em trilhas e áreas rurais
Passeios em matas, campos, áreas de turismo rural e regiões com vegetação exigem proteção contra picadas de mosquitos, carrapatos e outros animais. Prefira calças compridas, camisas de manga longa, meias e calçados fechados.
O repelente deve ser usado conforme as orientações do rótulo. Em crianças pequenas, é preciso observar a faixa etária indicada pelo fabricante. O produto não deve ser aplicado sobre feridas, mucosas ou pele irritada. Também é importante verificar se o repelente pode ser usado junto com o protetor solar e respeitar a ordem recomendada na embalagem.
Ao retornar de uma trilha ou passeio em área de vegetação, examine o corpo e as roupas em busca de carrapatos. Caso encontre um, a retirada deve ser feita com cuidado, sem esmagá-lo contra a pele. Se surgirem febre, manchas, dor de cabeça ou mal-estar depois de uma exposição, procure atendimento e informe onde esteve.
Não toque em animais silvestres, mesmo que pareçam dóceis ou estejam feridos. Em caso de mordida, arranhão ou contato com saliva de animal desconhecido, lave o local com água e sabão e procure atendimento para avaliação.
Tenha atenção à água e aos alimentos
Água e alimentos contaminados podem causar diarreia, vômitos e outras doenças infecciosas. Prefira água potável, de embalagem lacrada ou de fonte reconhecidamente segura. Evite gelo de procedência desconhecida, especialmente em locais onde não há confirmação sobre a qualidade da água.
Lave as mãos antes de comer e depois de usar o banheiro, utilizar transporte coletivo ou visitar locais com grande circulação de pessoas. Quando não houver pia disponível, o álcool em gel pode ser uma alternativa, desde que as mãos não estejam visivelmente sujas.
Observe as condições de higiene do local e a conservação dos alimentos. Preparações com carne, ovos, leite e frutos do mar devem estar bem cozidas. Produtos perecíveis precisam permanecer refrigerados ou aquecidos de forma adequada. Embalagens estufadas, violadas, enferrujadas ou fora do prazo de validade devem ser descartadas.
Em caso de diarreia, a prioridade é manter a hidratação. Sangue nas fezes, febre alta, vômitos persistentes, sinais de desidratação, dor intensa ou sintomas em bebês, idosos e pessoas com doenças crônicas justificam avaliação em um serviço de saúde.
Redobre os cuidados em períodos de chuva e alagamentos
Em algumas regiões do Rio Grande do Sul, chuvas intensas podem provocar alagamentos, enxurradas e enchentes. Antes de sair, acompanhe as orientações da Defesa Civil e das autoridades locais. Não atravesse áreas alagadas a pé ou de carro quando houver risco, correnteza, baixa visibilidade ou suspeita de contaminação.
A água e a lama de enchentes podem conter esgoto, resíduos químicos, lixo e urina de roedores. Quando o contato for inevitável, cubra cortes e arranhões com curativos impermeáveis e use botas e luvas que reduzam a exposição. Não nade, não beba e não utilize água de inundação para preparar alimentos, escovar os dentes ou produzir gelo.
Alimentos que tiveram contato com a água da enchente devem ser descartados, mesmo que estejam embalados. Medicamentos atingidos pela inundação também não devem ser consumidos. Objetos e superfícies que possam ser recuperados precisam ser lavados e desinfetados conforme orientações das autoridades sanitárias.
A leptospirose é uma das doenças associadas ao contato com água ou lama contaminada pela urina de animais infectados. Febre, dor de cabeça, fraqueza, dor muscular — especialmente nas panturrilhas —, náuseas e vômitos podem surgir dias depois da exposição. A doença pode levar até 30 dias para se manifestar. Quem apresentar sintomas deve procurar atendimento e informar o contato com enchentes, lama ou roedores. Mais informações estão disponíveis na página da Secretaria da Saúde do RS sobre leptospirose.
Previna acidentes em praias, rios e áreas de lazer
Em locais com água, respeite as placas, as áreas delimitadas e as orientações dos salva-vidas. Evite nadar em pontos desconhecidos, próximos a correntezas, após chuvas fortes ou onde houver alerta das autoridades. Crianças devem permanecer sob supervisão direta de um adulto, mesmo em águas rasas.
Use calçados apropriados em trilhas, pedras e terrenos irregulares. Evite caminhar no escuro sem iluminação adequada e não consuma álcool antes de dirigir, nadar, praticar esportes ou realizar atividades que exijam equilíbrio e atenção.
Em passeios de bicicleta, motocicleta, quadriciclo ou embarcação, utilize os equipamentos de segurança indicados. O uso do cinto de segurança deve ser mantido durante todo o trajeto, inclusive em deslocamentos curtos.
Saiba quando procurar atendimento
Febre persistente, falta de ar, dor no peito, desmaio, confusão mental, reação alérgica com inchaço no rosto ou dificuldade para respirar, sangramento, queimadura extensa, trauma importante, afogamento e sinais de desidratação exigem atendimento rápido.
Em situações de urgência ou emergência, o SAMU pode ser acionado pelo telefone 192, gratuitamente, em todo o Brasil. O serviço atende ocorrências como problemas cardiorrespiratórios, acidentes com vítimas, afogamentos, queimaduras graves, intoxicações e outras situações que ameaçam a vida.
Depois da viagem, informe ao profissional de saúde os locais visitados, as atividades realizadas, o contato com animais, insetos, água de enchente ou alimentos suspeitos. Essa informação ajuda na avaliação de doenças relacionadas ao deslocamento.
Checklist antes de sair
- Verifique as vacinas e leve o cartão de vacinação.
- Separe medicamentos de uso contínuo, receitas e informações do tratamento.
- Leve água potável, protetor solar, repelente e roupas adequadas.
- Confira a previsão do tempo e os alertas das autoridades.
- Prefira alimentos bem conservados e água de fonte segura.
- Use calçados fechados em trilhas, áreas rurais e locais com entulho.
- Evite contato com água de enchentes e não atravesse áreas alagadas.
- Procure atendimento se surgirem sintomas importantes durante ou após o passeio.








