segunda-feira, 26 de outubro de 2026
SAÚDE

Cuidados com a saúde dos trabalhadores rurais no Rio Grande do Sul: prevenção e atendimento

Trabalhadores rurais do Rio Grande do Sul estão expostos a riscos como agrotóxicos, calor, máquinas, animais e sobrecarga física. Veja medidas de prevenção, sinais de alerta e onde buscar atendimento.

A saúde dos trabalhadores rurais no Rio Grande do Sul depende de medidas de prevenção no dia a dia, do uso correto de equipamentos e do acesso rápido aos serviços de atendimento. As atividades no campo podem envolver contato com agrotóxicos, operação de máquinas, exposição ao sol e ao frio, esforço físico, poeira, ruído, animais e riscos de quedas ou cortes.

A Norma Regulamentadora nº 31, do Ministério do Trabalho e Emprego, estabelece regras de segurança e saúde para atividades de agricultura, pecuária, silvicultura, exploração florestal e aquicultura. A norma se aplica aos diferentes tipos de relação de trabalho e aos locais onde essas atividades são realizadas. Consulte a NR-31. (gov.br)

Agrotóxicos exigem atenção durante todo o processo

O risco não está apenas no momento da pulverização. A exposição pode ocorrer durante a compra, o transporte, o armazenamento, o preparo da calda, a aplicação, a limpeza dos equipamentos e a destinação das embalagens. O contato pode acontecer pela pele, pelos olhos, pela respiração ou pela ingestão acidental.

Segundo o Ministério da Saúde, os efeitos dependem do produto, da dose absorvida e da forma de exposição. Podem aparecer sinais como náusea, vômito, tontura, dor de cabeça, irritação nos olhos ou na pele, fraqueza, suor excessivo, dificuldade para respirar, desorientação e alterações neurológicas. A exposição também pode estar relacionada a efeitos que se manifestam ao longo do tempo. (bvsms.saude.gov.br)

Como reduzir o risco

  • Use agrotóxicos somente com orientação e receituário agronômico, respeitando as instruções do rótulo e da bula.
  • Não armazene produtos junto de alimentos, rações, medicamentos, roupas ou utensílios domésticos.
  • Mantenha crianças, gestantes e pessoas que não participam da atividade afastadas da área de preparo e aplicação.
  • Não coma, beba ou fume durante o manuseio.
  • Utilize os equipamentos de proteção indicados para o produto e para a tarefa, como luvas, botas, proteção para os olhos, vestimenta adequada e proteção respiratória quando prevista.
  • Não use recipientes de cozinha para medir, misturar ou transferir produtos.
  • Depois do trabalho, lave as mãos e tome banho. As roupas usadas na aplicação devem ser lavadas separadamente das demais peças.
  • Não reutilize embalagens vazias. A destinação deve seguir as regras do sistema de recebimento e devolução aplicável.

O equipamento de proteção individual não substitui as medidas de controle do risco. Também é necessário verificar se o item está em boas condições, se é adequado ao produto e se foi colocado, retirado e higienizado corretamente.

O que fazer diante de uma suspeita de intoxicação

Ao perceber sintomas após o contato com um produto químico, interrompa a exposição e procure atendimento de saúde. Retire a pessoa do local contaminado, sem colocar outras pessoas em risco. Se houver contato com a pele ou os olhos, a orientação adequada depende do produto e da situação; por isso, é importante buscar orientação especializada.

Não provoque vômito e não ofereça leite, álcool, alimentos ou medicamentos por conta própria. Leve ao serviço de saúde o rótulo, a embalagem ou o nome do produto, além do receituário agronômico, se disponível. Essas informações ajudam a equipe a identificar a substância e definir a conduta.

No Rio Grande do Sul, o Centro de Informação Toxicológica presta orientação em situações de exposição a agrotóxicos e outras substâncias potencialmente tóxicas. O atendimento de emergência funciona em regime permanente pelo telefone 0800 721 3000. (saude.rs.gov.br)

Em situações graves, como falta de ar, desmaio, convulsão, confusão intensa ou dificuldade para acordar, a prioridade é acionar o serviço de emergência e não deixar a pessoa sozinha.

Calor, sol e mudanças bruscas de temperatura

O trabalho rural pode exigir longos períodos ao ar livre. Em dias quentes, o esforço físico, a umidade e a exposição direta ao sol aumentam o risco de desidratação, exaustão pelo calor e insolação. O Ministério da Saúde classifica a insolação como uma condição séria associada à exposição prolongada ao sol e ao calor intenso. (gov.br)

Para reduzir o risco, organize as tarefas mais pesadas para os horários de menor calor sempre que isso for possível. Faça pausas em locais com sombra ou ventilação, beba água regularmente e use roupas leves, chapéu ou outra proteção adequada. A proteção da pele contra a radiação solar também deve fazer parte da rotina, conforme orientação dos serviços de saúde.

Sinais como tontura, fraqueza, dor de cabeça, náusea, suor intenso, confusão, desmaio ou pele muito quente exigem interrupção imediata da atividade. A pessoa deve ser levada para um local fresco e ventilado e receber atendimento se os sintomas forem intensos, persistirem ou vierem acompanhados de alteração de consciência.

Máquinas, ferramentas, quedas e animais

Acidentes com tratores, roçadeiras, motosserras, implementos agrícolas e outras máquinas podem causar cortes, esmagamentos, amputações e fraturas. A prevenção começa pelo treinamento, pela manutenção dos equipamentos e pelo respeito aos dispositivos de proteção.

  • Não opere máquinas sem treinamento ou autorização.
  • Faça a manutenção com o equipamento desligado e sem possibilidade de acionamento inesperado.
  • Use roupas ajustadas e mantenha cabelos, cordões e acessórios afastados de partes móveis.
  • Use calçados adequados e atenção redobrada em terrenos inclinados, molhados ou irregulares.
  • Evite transportar passageiros em máquinas ou implementos que não tenham assento e estrutura prevista para isso.
  • Mantenha comunicação com outra pessoa quando a tarefa ocorrer em área isolada ou de difícil acesso.

Na pecuária, é importante conhecer o comportamento dos animais, evitar aproximações bruscas e utilizar instalações que permitam condução segura. Mordidas, coices, chifradas e quedas podem produzir lesões graves e também exigir avaliação para prevenção de infecções.

Esforço físico, postura e saúde mental

Carregar peso, repetir movimentos e permanecer por muito tempo em uma mesma posição pode provocar dores musculares, lesões por esforço e agravamento de problemas na coluna, nos ombros, nos joelhos e nas mãos. Sempre que possível, alterne tarefas, use ferramentas adequadas, divida cargas e faça pausas curtas para recuperação.

Dor persistente, perda de força, formigamento, inchaço, limitação de movimentos ou dificuldade para trabalhar devem ser avaliados por um profissional de saúde. O uso contínuo de medicamentos por conta própria pode mascarar sintomas e retardar o diagnóstico.

O isolamento, a pressão financeira, as perdas na produção, as jornadas extensas e a exposição a acidentes também podem afetar a saúde mental. Alterações persistentes no sono, irritabilidade, tristeza intensa, ansiedade, uso abusivo de álcool ou pensamentos de morte são sinais que exigem acolhimento e atendimento profissional. Em situação de risco imediato, procure um serviço de emergência e permaneça com a pessoa até que ela receba ajuda.

Onde buscar atendimento no SUS

A Unidade Básica de Saúde ou a Estratégia Saúde da Família do município pode orientar sobre prevenção, vacinação, acompanhamento de doenças, atendimento de sintomas e encaminhamento para outros serviços. Ao procurar atendimento, informe que a atividade profissional ocorre no campo e explique com detalhes o tipo de exposição, o produto envolvido, o tempo de contato e os sintomas apresentados.

Os serviços de saúde também podem encaminhar casos relacionados ao trabalho para a rede de Saúde do Trabalhador, incluindo os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador, conhecidos como Cerest, quando houver serviço disponível na região. O atendimento deve considerar não apenas o tratamento do sintoma, mas também a identificação e a prevenção do risco no ambiente de trabalho.

Casos suspeitos ou confirmados de intoxicação exógena por agrotóxicos devem ser informados às autoridades de saúde conforme os fluxos de vigilância. No Rio Grande do Sul, a Secretaria Estadual da Saúde mantém ações de vigilância sobre populações expostas a agrotóxicos e orientações para profissionais e municípios. (gov.br)

Checklist antes de começar o trabalho

  • Verifique as condições do clima, do terreno, das máquinas e das ferramentas.
  • Separe água potável, meios de comunicação e os equipamentos de proteção necessários.
  • Confira rótulos, instruções e condições das embalagens de produtos químicos.
  • Avise alguém sobre o local e o horário previstos para a atividade.
  • Evite trabalhar sozinho em tarefas de maior risco.
  • Não trabalhe sob efeito de álcool ou de medicamentos que provoquem sonolência sem avaliação profissional.
  • Interrompa a atividade diante de mal-estar, alteração de consciência, risco de tempestade, calor extremo ou falha de equipamento.

Cuidar da saúde no campo exige combinar informação, planejamento e acesso aos serviços públicos. A prevenção reduz a ocorrência de intoxicações e acidentes, mas não elimina a necessidade de procurar atendimento diante de sintomas ou lesões. Em caso de exposição a agrotóxicos no Rio Grande do Sul, o CIT pode ser acionado pelo telefone 0800 721 3000; em emergências clínicas, procure imediatamente o serviço de urgência mais próximo.