Os cuidados com a saúde em períodos de altas temperaturas são fundamentais para reduzir o risco de desidratação, insolação, exaustão pelo calor e agravamento de doenças preexistentes. No Rio Grande do Sul, os dias muito quentes podem ocorrer em diferentes épocas do ano e exigem atenção especialmente de crianças, pessoas idosas, gestantes, trabalhadores expostos ao sol e pacientes com doenças cardíacas, respiratórias, renais ou metabólicas.
A principal recomendação é não esperar o aparecimento da sede para beber água. Também é importante reduzir a exposição direta ao sol, manter os ambientes ventilados e observar pessoas que possam ter dificuldade para perceber ou comunicar os sinais de mal-estar.
Por que o calor intenso pode afetar a saúde
Em temperaturas elevadas, o corpo aumenta a transpiração para tentar manter sua temperatura. Quando a perda de líquidos não é compensada, pode ocorrer desidratação. Em situações mais graves, o organismo perde a capacidade de regular a própria temperatura, o que pode evoluir para insolação ou golpe de calor.
O calor também pode sobrecarregar o sistema cardiovascular e respiratório. Pessoas com doenças crônicas podem apresentar piora dos sintomas, enquanto idosos e crianças tendem a ser mais vulneráveis às alterações de temperatura. A população em situação de rua e trabalhadores que atuam ao ar livre também enfrentam risco ampliado.
Hidratação deve ser frequente
Beba água ao longo do dia, mesmo quando não sentir sede. A quantidade necessária varia conforme idade, peso, atividade física, alimentação, condições de saúde e orientação profissional. Pessoas com restrição de líquidos por problemas cardíacos ou renais devem seguir a recomendação do médico que acompanha o caso.
Água é a principal opção para a hidratação. Sucos naturais e água de coco podem fazer parte da rotina, mas não substituem a orientação profissional em situações de vômitos, diarreia ou desidratação. Bebidas alcoólicas devem ser evitadas, pois podem favorecer a perda de líquidos. O consumo excessivo de bebidas muito açucaradas ou com cafeína também não é recomendado como estratégia principal de hidratação.
Idosos podem sentir menos sede, mesmo quando o organismo já precisa de líquidos. Por isso, familiares, cuidadores e vizinhos devem oferecer água com frequência e observar mudanças no comportamento, na disposição e no volume de urina.
Como manter a casa e o corpo mais frescos
Durante os horários mais quentes, mantenha cortinas, persianas ou outras formas de proteção fechadas para reduzir a entrada de calor. Quando o ar externo estiver mais fresco, abra as janelas para favorecer a circulação. Se possível, permaneça em ambientes ventilados, sombreados ou climatizados.
Banhos frescos podem ajudar a aliviar o desconforto, principalmente antes de dormir. Panos umedecidos com água fresca também podem ser utilizados no rosto, nos punhos e na região do pescoço para auxiliar no resfriamento do corpo.
Use roupas leves, largas e de cores claras. Tecidos que favorecem a transpiração, como o algodão, podem ser mais confortáveis. Evite permanecer com roupas apertadas ou excessivamente quentes durante longos períodos.
Proteção contra o sol
Evite a exposição direta ao sol nos períodos de maior calor, especialmente entre o fim da manhã e o meio da tarde. Quando for necessário sair, procure permanecer na sombra, use chapéu ou boné, roupas que protejam a pele e óculos com proteção contra a radiação ultravioleta.
O protetor solar deve ser aplicado conforme as instruções do fabricante e reaplicado quando houver suor intenso, contato com água ou exposição prolongada. A proteção solar reduz o risco de queimaduras e ajuda a prevenir danos causados pela radiação ultravioleta, mas não substitui a busca por sombra e a redução do tempo sob o sol.
Também é importante nunca deixar crianças, idosos ou animais dentro de veículos estacionados. Mesmo com as janelas parcialmente abertas, a temperatura no interior do carro pode subir rapidamente.
Alimentação e atividade física
Em dias quentes, prefira refeições leves e alimentos frescos, como frutas, verduras e saladas. Alimentos perecíveis precisam ser mantidos em condições adequadas de refrigeração, porque o calor favorece a deterioração e aumenta o risco de doenças transmitidas por alimentos.
Atividades físicas e trabalhos pesados devem ser programados, sempre que possível, para os horários de menor calor. Antes, durante e depois do exercício, faça pausas e mantenha a hidratação. A intensidade deve ser reduzida quando houver calor excessivo, mal-estar ou sinais de cansaço fora do habitual.
Quem trabalha ao ar livre deve ter acesso a água potável e fresca, pausas regulares e locais sombreados ou ventilados. O Centro Estadual de Vigilância em Saúde do Rio Grande do Sul orienta que, diante de sintomas persistentes, o trabalhador interrompa a atividade e procure atendimento.
Atenção redobrada a grupos vulneráveis
Crianças pequenas podem perder líquidos rapidamente. Os responsáveis devem oferecer líquidos de acordo com a idade e as orientações da equipe de saúde, manter os menores em locais frescos e observar sinais como irritabilidade, sonolência, boca seca ou redução da urina.
Em pessoas idosas, é necessário reforçar a oferta de água, acompanhar o uso correto de medicamentos e observar sintomas novos. Não se deve alterar, suspender ou aumentar a dose de remédios por conta própria durante um período de calor. Qualquer mudança deve ser discutida com um profissional de saúde.
Gestantes, pessoas com doenças cardíacas, respiratórias, renais, diabetes, hipertensão ou outras condições crônicas também precisam seguir as recomendações da equipe que acompanha o caso. Em períodos de calor intenso, sintomas habituais podem piorar e exigir avaliação.
Pessoas que vivem sozinhas, estão em situação de rua ou têm dificuldade de mobilidade precisam ser incluídas na rede de cuidados. Uma ligação, visita ou oferta de água pode ajudar a identificar sinais de alerta precocemente.
Quais são os sinais de exaustão pelo calor
Os sinais podem incluir suor excessivo, fraqueza, cansaço intenso, tontura, dor de cabeça, náusea, cãibras, sede, pele ou boca seca, aceleração dos batimentos e diminuição do volume de urina.
Ao perceber esses sintomas, leve a pessoa para um local fresco e ventilado, interrompa o esforço físico, afrouxe roupas apertadas e ofereça água se ela estiver consciente e conseguir engolir. Se o mal-estar persistir, procure uma unidade de saúde.
A redução importante da urina, a piora progressiva da fraqueza, vômitos repetidos ou a presença de doenças crônicas exigem atenção médica. Crianças, idosos e gestantes devem ser avaliados com maior cautela.
Insolação e golpe de calor exigem atendimento rápido
Confusão mental, desmaio, convulsão, dificuldade para respirar, comportamento alterado, pele muito quente e temperatura corporal elevada são sinais de gravidade. A pessoa pode deixar de suar, mas a ausência de suor não é obrigatória para que exista uma emergência relacionada ao calor.
Nessas situações, chame o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pelo número 192 ou leve a pessoa imediatamente a um serviço de emergência. Enquanto aguarda ajuda, coloque-a em local fresco e retire o excesso de roupas. Panos úmidos e água fresca podem ser usados para ajudar a reduzir a temperatura, sem atrasar o atendimento profissional.
Se a pessoa estiver confusa, desmaiada ou com dificuldade para engolir, não ofereça líquidos ou alimentos, pois há risco de engasgo. As orientações do Ministério da Saúde sobre insolação reforçam que o atendimento deve ser imediato para evitar complicações graves.
Quando procurar uma unidade de saúde
Procure uma Unidade Básica de Saúde ou outro serviço da rede quando os sintomas não melhorarem após repouso, resfriamento e hidratação, ou quando houver vômitos, diarreia, tontura persistente, fraqueza intensa, redução da urina ou agravamento de uma doença já conhecida.
Em casos de desmaio, confusão mental, convulsão, dificuldade para respirar, dor no peito ou suspeita de golpe de calor, a orientação é buscar atendimento de urgência. O site da Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul reúne informações sobre a rede estadual e orientações de saúde.
Checklist para os dias de calor
- Beba água regularmente, sem esperar sentir sede.
- Evite álcool e não use bebidas muito açucaradas como principal fonte de hidratação.
- Prefira roupas leves, largas e de cores claras.
- Reduza a exposição direta ao sol nos horários mais quentes.
- Use chapéu, óculos com proteção UV e protetor solar.
- Mantenha a casa fresca, sombreada e ventilada.
- Faça pausas em atividades físicas ou trabalhos ao ar livre.
- Observe crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas.
- Não deixe ninguém dentro de veículos estacionados.
- Procure atendimento diante de sintomas persistentes ou sinais de gravidade.
As medidas de prevenção ajudam a reduzir os riscos, mas não substituem avaliação médica. Em caso de dúvida, procure a equipe de saúde de referência ou um serviço de urgência, especialmente quando houver sinais de alteração da consciência ou piora rápida do estado geral.








