Os períodos de frio no Rio Grande do Sul exigem atenção especial com a saúde. As baixas temperaturas podem agravar doenças respiratórias e cardiovasculares, aumentar o risco de hipotermia e afetar principalmente crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e moradores em situação de rua. (miniapps.saude.gov.br)
Além da temperatura baixa, a permanência prolongada em ambientes fechados e pouco ventilados favorece a circulação de vírus respiratórios. Por isso, a prevenção combina vacinação, higiene das mãos, ventilação, uso adequado de máscaras quando indicado e cuidados para manter o corpo aquecido e seco.
Quem precisa de mais atenção durante o frio
Qualquer pessoa pode sofrer com as baixas temperaturas, mas alguns grupos apresentam maior risco de complicações. Estão entre eles crianças pequenas, idosos, gestantes, pessoas com asma, doença pulmonar obstrutiva crônica, doenças cardíacas, diabetes, imunossupressão e outras condições crônicas. (atencaoprimaria.rs.gov.br)
Pessoas com mobilidade reduzida, limitações cognitivas ou que vivem em locais sem proteção adequada contra vento, chuva e frio também precisam de acompanhamento próximo. Durante uma onda de frio, é importante verificar regularmente se esses indivíduos estão bem agasalhados, alimentados e hidratados.
Em caso de pessoas em situação de rua, a orientação é acionar a rede de assistência social e os serviços públicos do município. No SUS, as equipes de Atenção Primária e os Consultórios na Rua podem realizar avaliação, vacinação, acompanhamento e encaminhamento quando necessário. (gov.br)
1. Mantenha a vacinação em dia
A vacinação é uma das principais formas de reduzir o risco de complicações por doenças respiratórias. Durante os períodos mais frios, é importante conferir a situação vacinal contra influenza e covid-19, conforme as recomendações vigentes do Ministério da Saúde e os grupos definidos para cada campanha.
No caso da influenza, o público prioritário inclui, entre outros grupos, crianças pequenas, gestantes, puérperas, idosos, trabalhadores da saúde, pessoas com doenças crônicas e pessoas com deficiência permanente. A composição das campanhas e os grupos atendidos podem ser atualizados pelas autoridades de saúde. (gov.br)
A vacinação deve ser feita nas unidades indicadas pela prefeitura ou pela Secretaria Municipal de Saúde. Antes de ir ao posto, o morador pode consultar os canais oficiais do município para verificar público-alvo, documentos exigidos e disponibilidade. A caderneta de vacinação ou o cartão do SUS podem facilitar o atendimento, mas os procedimentos podem variar entre as cidades.
2. Ventile os ambientes, mesmo nos dias frios
Fechar completamente portas e janelas durante o frio pode deixar os ambientes pouco ventilados. Isso favorece o acúmulo de partículas respiratórias, especialmente quando há muitas pessoas no mesmo local. Sempre que possível, mantenha alguma circulação de ar, principalmente em salas, quartos, escolas, locais de trabalho e transporte coletivo.
A ventilação deve ser combinada com a etiqueta respiratória: cubra a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, descarte lenços usados e higienize as mãos com água e sabão ou álcool a 70%. Pessoas com sintomas respiratórios devem evitar contato próximo com indivíduos vulneráveis e considerar o uso de máscara em ambientes fechados, aglomerados ou pouco ventilados. (gov.br)
A limpeza regular de superfícies e objetos de uso comum também ajuda a reduzir a transmissão de agentes infecciosos. A recomendação é reforçar a higienização em locais compartilhados, sem substituir a ventilação e os demais cuidados.
3. Use roupas adequadas e evite permanecer molhado
Use roupas em camadas, preferindo peças que permitam ajustar a proteção conforme a temperatura. Agasalhos, meias, calçados fechados, gorros e luvas podem ser importantes em situações de frio intenso, especialmente para crianças, idosos e pessoas que precisam permanecer ao ar livre.
Roupas molhadas ou úmidas devem ser trocadas o quanto antes. A combinação de frio, vento e umidade aumenta a perda de calor do corpo. Também é recomendável proteger a cabeça, as mãos e os pés, regiões que podem ficar muito expostas durante períodos prolongados em baixas temperaturas.
O ambiente doméstico deve ser aquecido de forma segura. Nunca improvise sistemas de aquecimento nem utilize equipamentos de combustão em locais fechados sem ventilação adequada. A fumaça produzida pela queima de lenha, carvão ou outros combustíveis pode poluir o ar interno e agravar problemas respiratórios. (gov.br)
4. Beba água e cuide da alimentação
A sensação de sede pode diminuir no frio, mas o organismo continua precisando de líquidos. Mantenha a hidratação ao longo do dia, salvo quando houver restrição indicada por profissional de saúde. Idosos e crianças podem precisar de lembretes ou supervisão para beber água regularmente.
Prefira uma alimentação variada, com refeições regulares e alimentos in natura ou minimamente processados. Sopas, caldos e bebidas quentes podem ajudar no conforto térmico, mas não substituem a hidratação nem devem ser usados como tratamento para doenças.
O consumo de álcool não protege o corpo contra o frio. Pelo contrário, pode aumentar o risco de hipotermia ao alterar a percepção da temperatura e favorecer comportamentos de exposição. Por isso, a recomendação é evitar bebidas alcoólicas durante episódios de frio intenso. (gov.br)
5. Redobre o cuidado com doenças crônicas
O frio pode contribuir para o agravamento de sintomas respiratórios e cardiovasculares. Pessoas com asma, bronquite, DPOC, insuficiência cardíaca, hipertensão, diabetes ou outras doenças crônicas devem manter o tratamento prescrito e não interromper medicamentos por conta própria.
Também é importante observar mudanças no estado de saúde, como aumento da falta de ar, chiado no peito, dor ou pressão no tórax, inchaço, cansaço fora do habitual, tontura ou piora persistente de sintomas. Nesses casos, procure a Unidade Básica de Saúde para avaliação e orientação.
Não use antibióticos, corticoides ou outros medicamentos por conta própria. A escolha do tratamento depende da causa dos sintomas e da avaliação clínica. Remédios guardados em casa, mesmo que tenham sido indicados anteriormente, podem não ser adequados para o quadro atual.
6. Proteja crianças, idosos e bebês
Bebês e crianças pequenas perdem calor com mais facilidade e nem sempre conseguem comunicar que estão com frio. Observe se a pele está muito fria, se há apatia, sonolência incomum, dificuldade para mamar ou se alimentar, respiração acelerada ou esforço para respirar.
Em idosos, sinais de agravamento podem ser confundidos com cansaço ou alteração habitual de comportamento. Confusão mental, sonolência excessiva, tremores intensos, fala arrastada e dificuldade para realizar movimentos simples merecem avaliação rápida, pois podem indicar hipotermia ou outra condição grave. (gov.br)
Durante os dias mais frios, verifique se os cômodos estão protegidos de vento e umidade, mas sem eliminar completamente a circulação de ar. Mantenha cobertores e roupas secos e ajude a pessoa a se levantar e caminhar com segurança para reduzir o risco de quedas.
7. Evite quedas e acidentes dentro de casa
Chão molhado, tapetes soltos, pouca iluminação e excesso de objetos nos corredores aumentam o risco de acidentes, principalmente para idosos. Mantenha as áreas de circulação livres, seque imediatamente pisos molhados e use calçados firmes.
Ao aquecer a casa, mantenha aparelhos elétricos afastados de cortinas, roupas de cama e materiais inflamáveis. Não cubra aquecedores nem utilize extensões ou instalações elétricas improvisadas. Crianças devem ficar longe de equipamentos quentes, tomadas e recipientes com água aquecida.
8. Saiba reconhecer sinais de alerta
Alguns sintomas exigem avaliação imediata. Procure atendimento de urgência se houver dificuldade intensa para respirar, respiração muito rápida, lábios ou rosto arroxeados, dor ou pressão persistente no peito, desmaio, convulsão, confusão mental ou perda de consciência. (gov.br)
Em bebês, também são sinais de alerta a dificuldade para mamar ou se alimentar, a redução importante da ingestão de líquidos, a sonolência excessiva e qualquer piora rápida do quadro respiratório. Crianças pequenas devem ser avaliadas com rapidez quando apresentam esforço para respirar ou mudança na coloração da pele.
Nos casos de suspeita de hipotermia, retire a pessoa do frio, coloque-a em local protegido e remova roupas molhadas. Não ofereça álcool e não aplique calor intenso diretamente sobre a pele. Se houver confusão mental, sonolência, fala alterada, tremores intensos ou perda de consciência, procure atendimento de urgência.
Onde buscar atendimento no Rio Grande do Sul
A Unidade Básica de Saúde é a porta de entrada preferencial para orientações, vacinação, acompanhamento de doenças crônicas e avaliação de sintomas que não sejam emergenciais. Em situações de urgência, a população pode procurar uma Unidade de Pronto Atendimento ou outro serviço de emergência da rede local.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, pelo número 192, deve ser acionado em situações graves, como problemas cardiorrespiratórios, desmaio, convulsões e outras emergências. A Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul mantém uma carta de serviços de saúde para orientar a busca por unidades de atendimento. (saude.rs.gov.br)
Para acompanhar orientações oficiais sobre vacinação, doenças respiratórias e períodos de frio, consulte o site da Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul e as páginas do Ministério da Saúde.
Checklist para os dias de frio
- Confira a vacinação de todos os moradores da casa.
- Mantenha os ambientes protegidos, mas com ventilação sempre que possível.
- Use roupas secas, em camadas, e troque peças úmidas rapidamente.
- Beba água regularmente, mesmo sem sentir muita sede.
- Evite álcool e não use medicamentos sem orientação profissional.
- Observe com atenção crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas.
- Procure atendimento diante de falta de ar, confusão mental, lábios arroxeados, desmaio ou piora rápida.
Com medidas simples e atenção aos grupos mais vulneráveis, é possível reduzir os riscos associados às baixas temperaturas e identificar mais cedo os sinais que exigem atendimento no Rio Grande do Sul.








