As mudanças de temperatura no Rio Grande do Sul exigem atenção redobrada com a saúde respiratória. A alternância entre períodos frios e quentes, a redução da umidade do ar, a presença de poluentes e a permanência em ambientes fechados podem favorecer a circulação de vírus e agravar sintomas de doenças crônicas, como asma, bronquite e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
O frio, por si só, não causa gripe ou resfriado. Essas doenças são provocadas principalmente por vírus. No entanto, as baixas temperaturas podem contribuir para que as pessoas permaneçam mais tempo em locais fechados e pouco ventilados, onde a transmissão de microrganismos respiratórios é facilitada. O ar frio e seco também pode irritar as vias aéreas e desencadear tosse, chiado e falta de ar em pessoas sensíveis.
Em setembro de 2026, o Ministério da Saúde reforçou orientações para a população do Sul diante de períodos de frio e instabilidade. Segundo a pasta, influenza, vírus sincicial respiratório (VSR) e covid-19 podem circular com maior intensidade em determinadas épocas, elevando o risco de síndromes gripais e complicações respiratórias. As recomendações podem ser consultadas no Ministério da Saúde.
Por que a variação de temperatura afeta a respiração
A exposição ao frio pode provocar contração das vias aéreas, ressecamento das mucosas e aumento da sensibilidade dos brônquios. Esse efeito é mais relevante para pessoas com asma, DPOC, bronquite ou outras doenças respiratórias crônicas. Em alguns casos, a queda de temperatura pode desencadear crises ou intensificar tosse, chiado, cansaço e produção de secreção.
A baixa umidade do ar também pode ressecar o nariz e a garganta, reduzindo o conforto respiratório. Já a poeira, a fumaça, o mofo e outros irritantes presentes em ambientes internos podem agravar alergias e inflamações. O Guia de Mudanças Climáticas e Saúde do Ministério da Saúde aponta que o frio está associado ao aumento de doenças respiratórias e pode causar agravamento especialmente em pessoas vulneráveis.
Outro fator importante é o comportamento durante os dias frios. Janelas e portas tendem a permanecer fechadas, o que diminui a renovação do ar. Em locais com muitas pessoas, como salas de aula, transporte coletivo, escritórios e residências, essa condição pode facilitar a transmissão de vírus respiratórios por gotículas e partículas suspensas no ar.
Quem precisa de mais atenção
Crianças pequenas, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e indivíduos com baixa imunidade estão entre os grupos que podem apresentar maior risco de complicações. Bebês, especialmente os menores de 2 anos, também merecem atenção por causa da possibilidade de evolução de infecções pelo VSR para bronquiolite.
Pessoas com asma e DPOC devem manter o acompanhamento de saúde e utilizar os medicamentos prescritos conforme a orientação profissional. A interrupção ou alteração do tratamento por conta própria pode aumentar o risco de descompensação, principalmente durante mudanças bruscas no tempo.
Também é importante observar pessoas em situação de rua e moradores de locais com pouca proteção contra o frio. A exposição prolongada a baixas temperaturas pode causar problemas de saúde e dificultar o controle de doenças já existentes. O atendimento pela rede pública deve ser procurado sempre que houver sintomas persistentes, piora de uma condição crônica ou dificuldade para respirar.
Cuidados para reduzir o risco de doenças respiratórias
Mantenha os ambientes ventilados
Mesmo em dias frios, é recomendável abrir portas e janelas por períodos que permitam a renovação do ar, especialmente em locais compartilhados. A ventilação ajuda a reduzir a concentração de partículas respiratórias no ambiente. Quando possível, deve-se evitar aglomerações em espaços fechados e pouco ventilados.
Use roupas adequadas e evite permanecer com peças molhadas
Agasalhos ajudam a reduzir a exposição ao frio, principalmente em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. Roupas úmidas ou molhadas devem ser trocadas assim que possível. Em dias de grande variação térmica, é útil vestir-se em camadas, facilitando a adaptação às mudanças ao longo do dia.
Higienize as mãos
Lavar as mãos com água e sabonete é uma das principais medidas para reduzir a transmissão de vírus e bactérias. A higiene deve ser feita após tossir ou espirrar, depois de usar o transporte coletivo, ao chegar em casa e antes de preparar ou consumir alimentos. Quando não houver água e sabonete disponíveis, pode-se utilizar álcool em gel, conforme a orientação dos serviços de saúde.
Cubra a boca e o nariz ao tossir ou espirrar
O ideal é usar um lenço descartável ou a parte interna do cotovelo, e não as mãos. Lenços usados devem ser descartados imediatamente, seguidos da higienização das mãos. Essa medida protege as pessoas próximas e reduz a contaminação de superfícies.
Use máscara quando houver sintomas
Pessoas com tosse, coriza, dor de garganta ou outros sintomas gripais devem considerar o uso de máscara em ambientes fechados, pouco ventilados ou com aglomeração. A recomendação também é importante durante o deslocamento e enquanto houver contato próximo com pessoas mais vulneráveis.
Evite fumaça, poeira e mofo
Fumaça de cigarro, queimadas, lareiras, fogões a lenha, poeira e mofo podem irritar as vias respiratórias. A limpeza deve ser feita, sempre que possível, com pano úmido para evitar que a poeira se espalhe. Colchões, travesseiros, cobertores e roupas de cama precisam ser mantidos limpos e secos.
Em situações de fumaça intensa ou poluição do ar, pessoas com asma, DPOC e outras doenças respiratórias devem reduzir a exposição e acompanhar os alertas das autoridades. A fumaça pode agravar quadros preexistentes e aumentar a necessidade de atendimento médico.
Vacinação ajuda a prevenir complicações
A vacinação é uma das principais formas de proteção contra doenças respiratórias que podem evoluir para quadros graves. O calendário do Sistema Único de Saúde inclui vacinas contra influenza e covid-19 para públicos definidos pelo Ministério da Saúde. A indicação pode variar conforme idade, condição de saúde, gestação, histórico vacinal e atualizações das campanhas.
Entre os grupos que costumam receber atenção prioritária estão crianças pequenas, gestantes, puérperas, idosos, pessoas com doenças crônicas, profissionais de saúde, professores, trabalhadores de determinadas áreas e pessoas com deficiência ou imunossupressão. A lista e as regras vigentes devem ser confirmadas na unidade de saúde do município ou no Calendário Nacional de Vacinação.
A vacina contra influenza não impede todos os episódios de gripe, mas reduz o risco de formas graves e complicações, especialmente entre os grupos mais vulneráveis. A imunização contra covid-19 também segue recomendações específicas para diferentes públicos. Não é necessário esperar o início do inverno para verificar a situação vacinal.
O que fazer diante de sintomas
Coriza, espirros, tosse, dor de garganta, febre, dor no corpo e mal-estar podem ocorrer em diferentes infecções respiratórias. Como os sintomas se sobrepõem, não é recomendável tentar identificar a causa apenas pela aparência do quadro ou iniciar antibióticos por conta própria.
Em casos leves, a pessoa deve descansar, manter a hidratação e observar a evolução dos sintomas. A alimentação pode ser mantida conforme a tolerância. Medicamentos para febre, dor, tosse ou congestão devem ser usados com orientação de um profissional, principalmente por crianças, gestantes, idosos e pessoas com doenças crônicas.
Antibióticos não tratam infecções causadas por vírus e só devem ser utilizados quando prescritos. O uso inadequado pode provocar efeitos adversos e contribuir para a resistência de bactérias aos medicamentos.
Se os sintomas forem persistentes, estiverem piorando ou vierem acompanhados de falta de ar, a orientação é procurar uma Unidade Básica de Saúde. A equipe pode avaliar o quadro, acompanhar doenças crônicas, verificar a vacinação e encaminhar o paciente a outro serviço quando necessário.
Sinais de alerta exigem atendimento rápido
Alguns sinais indicam a necessidade de atendimento de urgência. Entre eles estão dificuldade intensa para respirar, respiração muito rápida, lábios ou unhas arroxeados, dor ou pressão no peito, confusão mental, desmaio, convulsão, sonolência excessiva e piora acentuada de uma doença respiratória já conhecida.
Em bebês e crianças pequenas, é preciso observar dificuldade para mamar ou se alimentar, redução importante da ingestão de líquidos, respiração com esforço, chiado intenso, prostração e coloração arroxeada da pele. O VSR pode começar com sintomas semelhantes aos de um resfriado e evoluir para bronquiolite ou outros quadros graves, especialmente em crianças pequenas. Mais informações estão disponíveis na página do Ministério da Saúde sobre o vírus sincicial respiratório.
Em situações graves, a recomendação é buscar uma Unidade de Pronto Atendimento ou outro serviço de urgência. Em emergências, o atendimento pode ser solicitado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192.
Cuidados especiais no Rio Grande do Sul
O Rio Grande do Sul registra variações de temperatura ao longo do ano, com episódios de frio intenso, períodos de umidade elevada e mudanças rápidas nas condições do tempo. Por isso, a prevenção deve fazer parte da rotina, e não apenas dos dias mais frios.
Acompanhar a previsão do tempo ajuda a planejar roupas, deslocamentos e atividades ao ar livre. Em dias de frio intenso, idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas devem evitar exposição prolongada. Em períodos mais quentes e secos, é importante reforçar a hidratação e reduzir a exposição a poeira, fumaça e poluentes.
Também é recomendável manter os ambientes limpos, secos e ventilados, sem deixar de proteger a casa contra a entrada excessiva de frio. O equilíbrio entre renovação do ar e conforto térmico é especialmente importante em quartos compartilhados, escolas, instituições de longa permanência e locais de trabalho.
As mudanças de temperatura não podem ser evitadas, mas os riscos podem ser reduzidos com vacinação atualizada, ventilação, higiene das mãos, proteção contra o frio, controle de doenças crônicas e procura oportuna por atendimento. A principal orientação é não ignorar sintomas que persistem ou se agravam.








