O Rio Grande do Sul ampliou os investimentos destinados ao turismo e à cultura por meio de programas de recuperação, editais de fomento e ações de desenvolvimento regional. A estratégia combina recursos públicos, incentivos fiscais, convênios com municípios e apoio a empreendimentos considerados importantes para a retomada econômica do Estado.
Entre as principais medidas está o Prograntur, programa que prevê R$ 200 milhões para subsidiar juros de grandes empreendimentos voltados ao turismo. O mecanismo é coordenado pelas secretarias estaduais de Desenvolvimento Econômico e de Turismo e foi incluído entre os investimentos do Plano Rio Grande, criado após os eventos climáticos extremos que atingiram o Estado. (planoriogrande.rs.gov.br)
Na área cultural, o governo estadual mantém editais do Pró-Cultura RS, ações de preservação do patrimônio e investimentos em espaços culturais. A programação de 2026 inclui projetos voltados a eventos, produção artística, audiovisual, artes cênicas, tradicionalismo, mobilidade de agentes culturais e recuperação de equipamentos públicos.
Turismo ganha peso na estratégia de recuperação econômica
A ampliação dos investimentos ocorre em um momento de maior reconhecimento do peso do turismo na economia gaúcha. Dados divulgados pelo Departamento de Economia e Estatística do governo estadual mostram que as atividades turísticas geraram Valor Adicionado de R$ 16,6 bilhões em 2023, alta de 9,4% em relação ao ano anterior.
No mesmo período, o turismo respondeu por 2,9% do Valor Adicionado total do Rio Grande do Sul e por 4,5% do setor de serviços. Hotéis, restaurantes e serviços de alimentação concentraram R$ 9 bilhões, equivalentes a 54,5% do valor gerado pelas atividades turísticas no Estado. (estado.rs.gov.br)
Os números ajudam a explicar a prioridade dada à área. O turismo movimenta empresas de hospedagem, alimentação, transporte, comércio, entretenimento e serviços especializados. Também produz efeitos indiretos sobre a geração de empregos e a circulação de renda em municípios que dependem de visitantes em períodos específicos do ano.
O levantamento estadual aponta ainda uma concentração relevante da atividade em determinados destinos. Porto Alegre registrou o maior Valor Adicionado ligado ao turismo em 2023, com R$ 3,77 bilhões, seguida por Gramado, com R$ 1,26 bilhão, e Caxias do Sul, com R$ 766 milhões. Gramado também liderou a participação do turismo na economia municipal, com 39,6% do Valor Adicionado local.
Prograntur prevê subsídio para grandes empreendimentos
O Prograntur foi estruturado para estimular a atração e a expansão de investimentos na infraestrutura turística do Rio Grande do Sul. A iniciativa busca reduzir o custo de financiamentos para projetos considerados estratégicos e fortalecer empresas e equipamentos afetados pelos impactos econômicos e climáticos dos últimos anos.
O programa aparece na lista de investimentos do Plano Rio Grande com previsão de R$ 200 milhões. O recurso não representa necessariamente o valor total dos projetos privados apoiados, mas funciona como mecanismo de equalização de juros para facilitar a contratação de financiamentos.
Na prática, a medida pode alcançar empreendimentos de maior porte, como hotéis, centros de eventos, estruturas de lazer e equipamentos capazes de ampliar a capacidade de recepção de visitantes. A seleção, as condições de acesso e os critérios de enquadramento dependem da regulamentação e dos procedimentos definidos pelos órgãos responsáveis.
Além do Prograntur, o planejamento estadual prevê ações de infraestrutura, qualificação, promoção e regionalização do turismo. O Plano Plurianual 2024-2027 estabeleceu como objetivo dobrar o Valor Adicionado Bruto das atividades turísticas no prazo de quatro anos, tomando como referência uma linha de base de R$ 14,3 bilhões e uma meta de R$ 28,6 bilhões.
O documento também prevê a ampliação e a modernização da infraestrutura turística, a realização de convênios com municípios e a atualização dos Centros de Atendimento ao Turista. A proposta é transformar parte dessas estruturas em Centros de Informação Turística com equipamentos mais modernos e oferta de informações alinhadas aos padrões atuais de atendimento.
Investimentos articulam turismo, patrimônio e identidade regional
O governo estadual também passou a tratar o patrimônio histórico e a cultura como elementos integrados à política de turismo. A lógica é ampliar o tempo de permanência dos visitantes, diversificar os destinos e estimular a circulação de turistas por regiões que ainda recebem uma parcela menor do fluxo estadual.
No planejamento do Estado, estão previstas ações de incentivo ao turismo cultural e ao patrimônio histórico em diferentes regiões. A proposta inclui valorizar bens materiais e imateriais, apoiar iniciativas municipais e utilizar a cultura como instrumento de desenvolvimento econômico e de fortalecimento da identidade regional.
Um exemplo recente está na Região das Missões. Em março de 2026, convênios e ações de fomento anunciados pelo governo estadual somaram mais de R$ 12,5 milhões em projetos ligados à memória, à cultura e ao turismo missioneiro. Entre as iniciativas estão centros culturais, memoriais, espaços turísticos, revitalização de patrimônio, ampliação de museus temáticos e sinalização de caminhos históricos.
Os projetos incluem a implantação do Centro Cultural Missioneiro Jerivá, a criação do Centro Cultural e Memorial Polono Missioneiro, a revitalização da Redução Jesuítica Caaçapamini, a ampliação de museus temáticos e ações relacionadas ao Caminho das Missões e à Trilha dos Santos Mártires. (estado.rs.gov.br)
A combinação de patrimônio, paisagem, memória e eventos pode ampliar a oferta de produtos turísticos. Em vez de concentrar a atividade em poucos municípios, a estratégia procura distribuir visitantes e oportunidades econômicas por diferentes regiões do Estado.
Pró-Cultura RS amplia frentes de apoio em 2026
Na área cultural, os investimentos são realizados principalmente por meio do Sistema Estadual Unificado de Apoio e Fomento às Atividades Culturais, o Pró-Cultura RS. O sistema reúne instrumentos como a Lei de Incentivo à Cultura e o Fundo de Apoio à Cultura.
A programação de 2026 inclui o edital de Eventos Culturais, destinado a projetos que buscam financiamento indireto por meio de aportes de empresas. Pelo modelo, as empresas patrocinadoras podem compensar os valores aplicados com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, conforme as regras da legislação estadual.
Também foram publicados editais para produção e fruição cultural, patrimônio e espaços públicos, mobilidade, carnaval, audiovisual, artes cênicas e valorização do tradicionalismo gaúcho. A diversidade de linhas indica uma tentativa de contemplar tanto a produção profissional quanto iniciativas de preservação e acesso à cultura.
O edital de Patrimônio e Espaços Públicos de Cultura selecionou 22 projetos de municípios distribuídos por diferentes regiões do Estado. A iniciativa tem foco em ações de preservação, recuperação e qualificação de espaços culturais, com impacto potencial sobre a programação artística e a oferta de equipamentos públicos.
Entre as ações previstas para 2026 está ainda o programa Artista na Escola em Tempo Integral. O edital foi estruturado a partir de um convênio entre o governo estadual, o Ministério da Cultura e o Ministério da Educação, com valor total de R$ 1.253.796,60. Desse montante, R$ 1.053.796,60 são recursos federais e R$ 200 mil correspondem à contrapartida estadual.
A iniciativa prevê atividades artísticas em escolas estaduais de tempo integral, com prioridade para territórios do programa RS Seguro e inclusão de instituições que atendem estudantes indígenas e pessoas com deficiência. O objetivo é aproximar a produção cultural do ambiente escolar e ampliar o acesso de estudantes a experiências artísticas.
Recuperação de espaços culturais entra no Plano Rio Grande
O Plano Rio Grande também contempla a restauração e a adequação de espaços culturais. A lista oficial de investimentos registra R$ 8,54 milhões para essa finalidade, em uma frente voltada à recuperação de equipamentos e estruturas afetadas por danos, falta de manutenção ou necessidade de modernização.
A aplicação desses recursos pode envolver obras físicas, adequações de acessibilidade, melhorias de segurança, atualização de instalações e aquisição de equipamentos. A definição dos projetos e a execução dependem dos contratos, convênios e cronogramas específicos de cada empreendimento.
A recuperação dos espaços culturais tem efeito que vai além da preservação arquitetônica. Teatros, museus, centros culturais e casas de cultura funcionam como locais de formação, convivência, produção artística e atração de visitantes. Quando reabertos ou qualificados, esses equipamentos podem contribuir para reativar áreas urbanas e fortalecer circuitos culturais regionais.
Desafios incluem execução, distribuição regional e transparência
A ampliação das previsões orçamentárias e dos programas não garante, por si só, a realização dos resultados esperados. O impacto dependerá da capacidade de execução dos projetos, da liberação dos recursos, da apresentação de propostas tecnicamente qualificadas e da adesão de municípios e empresas.
Outro desafio é distribuir os investimentos de forma equilibrada. O turismo gaúcho tem polos consolidados, especialmente na Serra, no Litoral Norte e na Região Metropolitana, mas também possui potencial em áreas de fronteira, nas Missões, na Campanha, na região central e no Sul do Estado.
A descentralização pode reduzir a dependência de poucos destinos e ampliar a resiliência do setor. Para isso, são necessários acessos adequados, sinalização, qualificação profissional, divulgação, conectividade, preservação ambiental e integração entre os municípios.
Também é importante acompanhar indicadores objetivos, como número de visitantes, permanência média, geração de empregos, ocupação hoteleira, arrecadação e participação dos pequenos negócios. Na cultura, a avaliação pode considerar público atendido, quantidade de projetos executados, distribuição territorial dos recursos e continuidade das ações.
O avanço dos investimentos em turismo e cultura no Rio Grande do Sul representa, portanto, uma estratégia que combina recuperação econômica, valorização da identidade e fortalecimento de políticas públicas. A consolidação dessa agenda dependerá da transformação das previsões em obras, editais, eventos e serviços efetivamente entregues à população e aos visitantes.








