segunda-feira, 26 de outubro de 2026
MANCHETES

Novos roteiros turísticos no Rio Grande do Sul ampliam opções além da Serra

Novos roteiros turísticos no Rio Grande do Sul integram natureza, gastronomia, cultura e identidade regional para atrair visitantes a diferentes áreas do Estado, além dos destinos tradicionais da Serra Gaúcha.

Novos roteiros turísticos no Rio Grande do Sul estão ampliando a oferta de experiências para além dos destinos tradicionalmente associados ao inverno e à Serra Gaúcha. A estratégia combina natureza, gastronomia, cultura, patrimônio histórico, religiosidade e bem-estar para atrair visitantes em diferentes épocas do ano e distribuir o movimento por mais regiões do Estado.

O processo envolve municípios, entidades empresariais, empreendedores e órgãos públicos. Em vez de concentrar a atividade turística em poucos destinos conhecidos, a proposta é transformar características locais em produtos capazes de estimular permanências mais longas, gerar renda e fortalecer pequenos negócios.

O movimento foi destacado em fevereiro de 2026 pelo Sebrae RS, que apontou a expansão de experiências autênticas como uma das tendências do turismo gaúcho. A entidade relaciona a diversificação dos roteiros à valorização dos saberes locais, dos produtos regionais e das paisagens de cada território.

Turismo regional busca reduzir a concentração de visitantes

A Serra Gaúcha continua sendo um dos principais polos turísticos do Rio Grande do Sul, mas o Estado possui uma rede ampla de regiões com características próprias. O litoral, a Costa Doce, as áreas de fronteira, as Missões, os Campos de Cima da Serra, as regiões de águas termais e os municípios do interior passaram a ser apresentados como partes de uma oferta integrada.

Essa integração permite criar viagens com diferentes combinações de atividades. Um visitante pode, por exemplo, associar gastronomia e produção rural a passeios de natureza, ou combinar patrimônio histórico com manifestações culturais e eventos locais. A lógica também favorece a criação de circuitos entre municípios próximos, ampliando o número de empreendimentos envolvidos.

Em novembro de 2025, durante um workshop realizado em Torres para preparar a temporada de verão, o governo estadual reforçou que o período não se limita ao litoral. A campanha de promoção turística apresentada na ocasião incluiu rotas de aventura, vinhedos, cultura, gastronomia e paisagens naturais distribuídas pelo território gaúcho.

Segundo a comunicação do governo do Rio Grande do Sul, a iniciativa buscou estimular o deslocamento interno e alcançar novos públicos. O objetivo é fazer com que o turismo de verão também contribua para a movimentação econômica de municípios que não estão diretamente ligados às praias.

Natureza e aventura ganham espaço nos novos roteiros

Entre as áreas que vêm ampliando a oferta de experiências estão os Campos de Cima da Serra. O território reúne cânions, trilhas, rios e paisagens de altitude, com atividades voltadas ao ecoturismo e ao turismo de aventura.

Cambará do Sul é um dos municípios associados a esse movimento. De acordo com informações do Sebrae RS, a região tem ampliado a divulgação de trilhas ao ar livre, passeios em veículos apropriados para terrenos acidentados e travessias de rios. São atividades que dependem de planejamento, acompanhamento profissional e atenção às condições climáticas, mas que ajudam a diversificar o perfil dos visitantes.

O turismo de natureza também aparece em outras áreas do Estado, como o litoral norte, o litoral sul e a Costa Doce. Nessas regiões, os roteiros podem combinar praias, lagoas, áreas de preservação, observação da paisagem e gastronomia baseada em produtos locais.

A proposta não é apenas aumentar o número de visitantes, mas organizar a experiência turística de forma responsável. A visitação em áreas naturais exige infraestrutura mínima, orientação, controle de acesso quando necessário e respeito às regras ambientais. Sem esses cuidados, o crescimento do fluxo pode pressionar os próprios atrativos que sustentam a atividade.

Gastronomia transforma identidade regional em produto turístico

A gastronomia passou a ocupar posição central na criação de roteiros turísticos no Rio Grande do Sul. Pratos, ingredientes, bebidas e modos de preparo são utilizados para contar a história de cada comunidade e estimular o consumo de produtos elaborados no próprio território.

Nas regiões de Uva e Vinho, a colheita da uva e a programação da Vindima aproximam os visitantes do processo de produção vitivinícola. A experiência inclui visitas a propriedades, degustações e atividades relacionadas à cultura do vinho, conectando agricultura, tradição e hospitalidade.

Na Serra Gaúcha, o calendário turístico também é influenciado pelas diferentes estações do ano. Durante períodos de menor movimento, cidades da Região das Hortênsias podem atrair visitantes interessados em descanso, gastronomia e infraestrutura urbana. A estratégia ajuda a reduzir a dependência dos meses de maior procura.

Nas Missões, a gastronomia aparece associada à memória, à cultura e ao patrimônio histórico. O Festival Degusta Missões, realizado em Santo Ângelo, é apresentado como uma iniciativa que utiliza ingredientes locais e referências da cultura missioneira para estimular o turismo regional.

Conforme o Sebrae RS, dez empresas participaram da edição mencionada em 2026, com pratos salgados, doces e bebidas inspirados na identidade da região. Além de atrair público, ações desse tipo ajudam a qualificar empreendimentos e a aproximar restaurantes, produtores e entidades locais.

Missões reforçam turismo cultural e histórico

A Região das Missões ocupa uma posição estratégica na expansão dos roteiros turísticos gaúchos. O território reúne patrimônio histórico, manifestações culturais, religiosidade, produção rural e elementos ligados à formação social do Estado.

As comemorações relacionadas aos 400 anos das Missões Jesuítico-Guarani também ampliam a visibilidade da região. A programação cultural e os eventos associados ao marco histórico contribuem para apresentar os municípios missioneiros a públicos interessados em história, arquitetura, música, gastronomia e patrimônio.

O desafio é transformar a visita a um atrativo isolado em uma experiência regional. Para isso, os municípios precisam articular hospedagem, alimentação, transporte, guias, comércio e programação cultural. Quanto maior a integração entre os serviços, maiores as possibilidades de o visitante permanecer por mais tempo e circular por diferentes cidades.

Esse modelo também pode contribuir para preservar referências culturais. Quando tradições, produtos e narrativas locais passam a fazer parte de roteiros organizados, elas deixam de ser vistas apenas como manifestações internas e podem alcançar novos públicos sem perder a ligação com a comunidade.

Águas termais e bem-estar atraem visitantes durante todo o ano

Outra frente de expansão está nas regiões de águas termais. Esses destinos apresentam uma vantagem importante para o calendário turístico: não dependem exclusivamente do verão ou do inverno para receber visitantes.

O turismo de bem-estar costuma ser associado a descanso, lazer, hospedagem, tratamentos e atividades para famílias. A permanência média pode ser favorecida pela oferta de parques, hotéis, restaurantes e serviços complementares.

A existência de águas termais, porém, não garante sozinha a consolidação de um destino. A experiência depende de acesso, divulgação, qualificação dos profissionais, segurança e capacidade de atendimento. A integração com atrativos culturais e gastronômicos pode tornar o roteiro mais completo e ampliar o interesse de diferentes perfis de viajantes.

Novas propostas também surgem no sul e no interior

O portal oficial de turismo do Rio Grande do Sul reúne roteiros que refletem a diversidade do Estado. Entre as propostas divulgadas estão experiências relacionadas ao azeite e à produção rural na Serra dos Tapes, caminhadas históricas em municípios da fronteira, circuitos religiosos e atividades de turismo rural.

Na região sul, a produção de azeite, os olivais, a paisagem rural e a gastronomia formam uma combinação com potencial para atrair visitantes interessados em produtos de origem e experiências diretamente ligadas ao campo. Esse tipo de roteiro aproxima o turista dos processos de cultivo, beneficiamento e consumo.

Em municípios da fronteira, caminhadas orientadas e visitas a prédios históricos ajudam a apresentar a formação urbana e cultural das cidades. São alternativas de menor escala, mas que podem movimentar guias, museus, casas de cultura, restaurantes e estabelecimentos comerciais.

O turismo religioso também integra esse processo de diversificação. Santuários, igrejas, monumentos, festas e caminhos de peregrinação podem formar circuitos que combinam fé, história e identidade comunitária. A criação de roteiros organizados facilita a divulgação e estimula a conexão entre cidades próximas.

Pequenos negócios estão no centro da estratégia

A expansão de novos roteiros turísticos tem impacto direto sobre pequenos empreendimentos. Pousadas, cafés, restaurantes, produtores rurais, artesãos, agências, condutores e transportadores podem participar da cadeia de atendimento ao visitante.

Para que os benefícios sejam distribuídos, no entanto, é necessário profissionalizar a oferta. Informações claras, horários atualizados, formas de reserva, acessibilidade, meios de pagamento e capacitação da equipe são fatores que influenciam a percepção do turista.

Outro ponto é a cooperação entre municípios e empresas. Um roteiro que envolve mais de uma cidade precisa de comunicação conjunta, sinalização, definição de responsabilidades e divulgação integrada. Sem essa articulação, o visitante pode encontrar dificuldades para localizar atrativos ou conectar diferentes etapas da viagem.

O Sebrae RS defende que a combinação entre tradição e inovação pode tornar os destinos mais competitivos. Na prática, isso significa preservar receitas, festas, paisagens e histórias, mas também utilizar novas ferramentas de divulgação, organizar experiências e adaptar os serviços às expectativas atuais dos viajantes.

Desafios incluem infraestrutura e continuidade

A criação de roteiros é apenas uma das etapas do desenvolvimento turístico. Para consolidar os destinos, ainda são necessários investimentos em estradas, sinalização, conectividade, saneamento, segurança, acessibilidade e preservação dos atrativos.

Também é preciso manter a qualidade ao longo do tempo. Eventos pontuais podem gerar atenção e movimento, mas a permanência do fluxo depende de uma agenda contínua e de serviços disponíveis em diferentes períodos do ano.

Outro cuidado é evitar a divulgação de experiências que ainda não estejam preparadas para receber visitantes. A promoção precisa ser acompanhada de informações precisas sobre acesso, funcionamento, necessidade de agendamento e condições de visitação. Isso reduz frustrações e contribui para a reputação dos destinos.

O Rio Grande do Sul já dispõe de uma diversidade de paisagens e manifestações culturais. O desafio atual é transformar esse patrimônio em roteiros bem estruturados, sustentáveis e capazes de beneficiar as comunidades locais.

Um mapa turístico mais diversificado

Os novos roteiros turísticos no Rio Grande do Sul indicam uma mudança na forma de apresentar o Estado. A imagem concentrada na Serra Gaúcha e nas temporadas de inverno passa a conviver com outras possibilidades: praias e lagoas, trilhas e cânions, vinhedos e olivais, águas termais, patrimônio missioneiro, turismo rural e experiências gastronômicas.

Essa diversidade pode fortalecer o turismo regional e reduzir a concentração de visitantes em poucos destinos. Também cria oportunidades para municípios que possuem atrativos, mas ainda buscam maior reconhecimento no mercado.

O resultado dependerá da capacidade de integrar promoção, infraestrutura, qualificação e preservação. Com planejamento e participação das comunidades, os roteiros podem deixar de ser apenas produtos de divulgação e se consolidar como instrumentos de desenvolvimento econômico e valorização cultural em diferentes regiões do Rio Grande do Sul.