segunda-feira, 26 de outubro de 2026
MANCHETES

Cidades do Rio Grande do Sul ganham destaque entre destinos turísticos brasileiros

Cidades do Rio Grande do Sul aparecem em evidência no turismo brasileiro, com Gramado entre os destinos nacionais mais buscados e diferentes regiões do Estado fortalecendo roteiros de natureza, gastronomia, história e cultura.

As cidades do Rio Grande do Sul vêm ampliando sua presença no mapa do turismo brasileiro. O movimento é liderado por Gramado, que apareceu em primeiro lugar em um ranking dos destinos nacionais mais procurados para o segundo semestre de 2025, mas também envolve municípios da Serra Gaúcha, do litoral, da região central, da fronteira e do norte do Estado.

O destaque ocorre em um momento de reorganização e promoção do turismo gaúcho. Em dezembro de 2025, a Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul informou que o Estado já havia superado, nos primeiros oito meses daquele ano, o total de visitantes estrangeiros registrado em todo o ano de 2024. A pasta também desenvolveu ações para ampliar a divulgação dos destinos além do tradicional turismo de inverno.

O cenário combina fatores diferentes: a força de cidades já consolidadas, a diversificação dos roteiros e a busca por experiências associadas à natureza, à gastronomia, à cultura regional e ao turismo rural. O resultado é uma oferta distribuída por várias áreas do território gaúcho.

Gramado lidera procura por destinos nacionais

Gramado foi apontada como o destino nacional mais buscado para viagens no segundo semestre de 2025, segundo levantamento preparado pela Decolar e divulgado pelo portal Melhores Destinos em 31 de julho daquele ano. A cidade gaúcha ficou à frente de destinos conhecidos do litoral brasileiro e de grandes centros urbanos.

O resultado reforça a posição de Gramado como principal referência turística do Estado. A cidade reúne arquitetura temática, gastronomia, comércio, parques, eventos e uma rede de hospedagem voltada a diferentes perfis de visitantes. Entre as atrações de maior projeção está o Natal Luz, evento que contribui para ampliar o fluxo turístico durante o fim do ano.

A força de Gramado também beneficia municípios próximos. Canela, Nova Petrópolis, Picada Café e São Francisco de Paula integram a Região das Hortênsias, reconhecida pela variedade de serviços, paisagens, parques, museus, gastronomia e eventos. De acordo com a Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul, a região é o destino mais visitado do Estado.

Canela se destaca pela combinação entre áreas naturais, equipamentos turísticos e programação cultural. Nova Petrópolis preserva referências da colonização germânica e de roteiros ligados à produção rural. São Francisco de Paula, por sua vez, amplia o leque de experiências associadas às paisagens serranas, à gastronomia e ao contato com a natureza.

Serra Gaúcha amplia a oferta de experiências

Além da Região das Hortênsias, a Serra Gaúcha concentra municípios que estruturaram o turismo em torno da produção de uvas, vinhos, espumantes, gastronomia e patrimônio cultural. Bento Gonçalves, Garibaldi, Caxias do Sul, Flores da Cunha, Farroupilha e Antônio Prado fazem parte da Região Uva e Vinho.

Segundo o portal oficial de turismo do Estado, a região combina arquitetura, história e gastronomia associadas à imigração italiana. Os roteiros incluem visitas a vinícolas, degustações, harmonizações, restaurantes, propriedades rurais e pequenas cidades que preservam aspectos da formação histórica da Serra.

Esse modelo de turismo tem uma característica importante: distribui a visitação por diferentes municípios e não depende apenas de uma estação do ano. Embora o inverno permaneça como período de alta procura, a colheita da uva, os eventos gastronômicos, os roteiros rurais e as experiências em vinícolas ajudam a manter o movimento ao longo do calendário.

O turismo da Serra também se beneficia da proximidade entre os municípios. O visitante pode combinar, em uma mesma viagem, atrações urbanas, atividades de natureza, gastronomia, compras e visitas a empreendimentos familiares. Essa integração favorece a criação de roteiros regionais e aumenta o tempo de permanência dos turistas.

Natureza e aventura ganham espaço

O Rio Grande do Sul também vem sendo associado a destinos de natureza e aventura. Na Região Campos de Cima da Serra, os parques nacionais Aparados da Serra e Serra Geral formam a base de roteiros voltados à contemplação, às trilhas e às paisagens dos cânions. O território inclui municípios conhecidos pelo relevo, pelo clima e pela culinária ligada a ingredientes como pinhão e queijo serrano.

O turismo de natureza aparece ainda em áreas do Vale do Paranhana, onde municípios como Três Coroas, Taquara, Rolante, Riozinho, Igrejinha e Parobé oferecem atividades relacionadas a montanhas, corredeiras, trilhas e Mata Atlântica. A região combina aventura, bem-estar, gastronomia e experiências culturais, segundo a descrição oficial do governo gaúcho.

Outro exemplo está na Quarta Colônia, na região central do Estado. Formada por nove municípios, a região reúne patrimônio natural, paisagens rurais, cultura de origem italiana e o Geoparque Quarta Colônia, reconhecido pela Unesco. O conjunto cria oportunidades para o turismo científico, cultural, rural e de observação da natureza.

A diversificação é estratégica porque amplia o perfil do visitante. Em vez de concentrar a divulgação apenas em viagens de inverno ou em grandes eventos, os municípios passam a promover trilhas, geossítios, roteiros gastronômicos, experiências em propriedades rurais e atividades de educação ambiental.

Destinos históricos e culturais fortalecem o mapa turístico

O patrimônio histórico é outro eixo importante do turismo no Rio Grande do Sul. Na Região das Missões, o Sítio Arqueológico São Miguel Arcanjo é o principal símbolo de um roteiro ligado à presença jesuítica, à história indígena e à formação territorial do Estado. As ruínas da antiga redução fazem parte do conjunto reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade.

O turismo cultural também está presente em Porto Alegre, que concentra museus, edifícios históricos, espaços culturais e roteiros relacionados à formação política e social do Rio Grande do Sul. A capital funciona ainda como porta de entrada para visitantes que seguem para a Serra, o litoral, a região metropolitana e outras áreas do Estado.

Na Costa Doce Gaúcha, municípios como Pelotas, Rio Grande, Jaguarão e São Lourenço do Sul combinam patrimônio arquitetônico, praias, lagoas, tradições culturais e gastronomia. A região tem características diferentes da Serra e amplia a percepção sobre a diversidade turística gaúcha.

Pelotas é reconhecida pela arquitetura histórica e pela tradição dos doces. Rio Grande reúne referências ligadas à história portuária e ao litoral, enquanto São Lourenço do Sul atrai visitantes em busca de atividades junto à Lagoa dos Patos. Jaguarão acrescenta ao roteiro elementos de fronteira e de intercâmbio cultural com o Uruguai.

Turismo de fronteira e identidade regional

A identidade do Pampa aparece com mais força nas regiões Fronteira e Pampa Gaúcho. Municípios como Alegrete, Uruguaiana, São Gabriel, Quaraí e Itaqui trabalham com experiências relacionadas às estâncias, à cultura campeira, à pecuária, à gastronomia e às paisagens abertas.

O turismo rural é um dos principais caminhos para valorizar esse território. Estâncias, atividades ao ar livre, culinária baseada em carnes bovinas e ovinas e manifestações tradicionais ajudam a apresentar uma imagem do Estado diferente daquela associada exclusivamente à Serra Gaúcha.

A proximidade com Argentina e Uruguai também influencia a dinâmica regional. O Rio Grande do Sul é uma importante porta de entrada terrestre para turistas sul-americanos, especialmente argentinos, segundo informações apresentadas em relatório do governo estadual. Esse fluxo beneficia cidades de fronteira, destinos litorâneos e municípios conectados por rodovias internacionais.

Pequenos municípios buscam reconhecimento

O movimento de expansão do turismo inclui cidades menores, que passaram a organizar sua divulgação a partir de características próprias. Ametista do Sul, na região norte, é um exemplo. O município está associado à extração, ao beneficiamento e à produção de ametistas, além de experiências ligadas à arquitetura e à geologia.

A região Rota das Águas e Pedras também reúne balneários hidrominerais, manifestações religiosas e atrativos naturais. Iraí, Vicente Dutra e Frederico Westphalen aparecem entre os municípios que estruturam a oferta regional, de acordo com o site oficial de turismo do Rio Grande do Sul.

No noroeste, a Rota do Rio Uruguai promove balneários, passeios náuticos, pesca e eventos. Santa Rosa, Porto Lucena, Porto Mauá e outros municípios aproveitam a presença do rio e a posição próxima à fronteira para desenvolver atividades de lazer e integração regional.

Esses destinos ainda enfrentam desafios de infraestrutura, divulgação e qualificação dos serviços. Porém, a criação de rotas turísticas ajuda a unir municípios, organizar calendários, ampliar a permanência dos visitantes e distribuir os efeitos econômicos da atividade.

Promoção internacional e recuperação do setor

O governo estadual adotou, em 2025, medidas para reforçar a promoção internacional do turismo. Entre as iniciativas divulgadas pela Secretaria de Turismo está um acordo de cooperação técnica com a Embratur e a Invest RS, com ações voltadas a mercados considerados prioritários.

Também foi lançado um plano de promoção internacional com definição de objetivos, metas e mercados-alvo. A estratégia procura apresentar o Rio Grande do Sul como destino para diferentes épocas do ano e não apenas como opção de inverno ou de turismo na Serra.

Em dezembro de 2025, a campanha “O Sul Te Espera nas Quatro Estações” passou por 21 municípios em 12 dias. A proposta foi estimular o fluxo para destinos de férias de verão e para cidades com atrativos naturais e culturais. A iniciativa sinaliza uma tentativa de descentralizar a promoção turística e dar visibilidade a regiões menos conhecidas do público nacional.

Um Estado com roteiros para diferentes perfis

O destaque das cidades do Rio Grande do Sul no turismo brasileiro não depende de um único destino. Gramado concentra grande parte da visibilidade nacional, mas sua força se conecta a uma rede de municípios e regiões que oferecem experiências distintas.

Há opções para quem busca clima serrano, gastronomia e eventos; para quem prefere vinhos e roteiros rurais; para os interessados em cânions, trilhas e geologia; para visitantes atraídos por praias, lagoas e patrimônio histórico; e para turistas que desejam conhecer a cultura do Pampa e das áreas de fronteira.

Essa diversidade pode ajudar o Estado a reduzir a concentração sazonal e ampliar a circulação de visitantes. Para isso, a consolidação dos destinos depende de planejamento, integração entre municípios, preservação ambiental, qualificação profissional, acessibilidade e informações confiáveis para o turista.

Com a combinação entre destinos já conhecidos e cidades que começam a ganhar projeção, o Rio Grande do Sul reforça sua presença entre os principais polos turísticos do país. O desafio passa a ser transformar o interesse crescente em viagens distribuídas pelo território, com benefícios econômicos e culturais para um número maior de municípios.

Fontes: ranking de destinos nacionais do Melhores Destinos; informativo da Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul; e portal oficial de regiões turísticas do Estado.