As cidades do Rio Grande do Sul vêm ampliando sua presença no mapa do turismo brasileiro. O movimento é liderado por Gramado, que apareceu em primeiro lugar em um ranking dos destinos nacionais mais procurados para o segundo semestre de 2025, mas também envolve municípios da Serra Gaúcha, do litoral, da região central, da fronteira e do norte do Estado.
O destaque ocorre em um momento de reorganização e promoção do turismo gaúcho. Em dezembro de 2025, a Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul informou que o Estado já havia superado, nos primeiros oito meses daquele ano, o total de visitantes estrangeiros registrado em todo o ano de 2024. A pasta também desenvolveu ações para ampliar a divulgação dos destinos além do tradicional turismo de inverno.
O cenário combina fatores diferentes: a força de cidades já consolidadas, a diversificação dos roteiros e a busca por experiências associadas à natureza, à gastronomia, à cultura regional e ao turismo rural. O resultado é uma oferta distribuída por várias áreas do território gaúcho.
Gramado lidera procura por destinos nacionais
Gramado foi apontada como o destino nacional mais buscado para viagens no segundo semestre de 2025, segundo levantamento preparado pela Decolar e divulgado pelo portal Melhores Destinos em 31 de julho daquele ano. A cidade gaúcha ficou à frente de destinos conhecidos do litoral brasileiro e de grandes centros urbanos.
O resultado reforça a posição de Gramado como principal referência turística do Estado. A cidade reúne arquitetura temática, gastronomia, comércio, parques, eventos e uma rede de hospedagem voltada a diferentes perfis de visitantes. Entre as atrações de maior projeção está o Natal Luz, evento que contribui para ampliar o fluxo turístico durante o fim do ano.
A força de Gramado também beneficia municípios próximos. Canela, Nova Petrópolis, Picada Café e São Francisco de Paula integram a Região das Hortênsias, reconhecida pela variedade de serviços, paisagens, parques, museus, gastronomia e eventos. De acordo com a Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul, a região é o destino mais visitado do Estado.
Canela se destaca pela combinação entre áreas naturais, equipamentos turísticos e programação cultural. Nova Petrópolis preserva referências da colonização germânica e de roteiros ligados à produção rural. São Francisco de Paula, por sua vez, amplia o leque de experiências associadas às paisagens serranas, à gastronomia e ao contato com a natureza.
Serra Gaúcha amplia a oferta de experiências
Além da Região das Hortênsias, a Serra Gaúcha concentra municípios que estruturaram o turismo em torno da produção de uvas, vinhos, espumantes, gastronomia e patrimônio cultural. Bento Gonçalves, Garibaldi, Caxias do Sul, Flores da Cunha, Farroupilha e Antônio Prado fazem parte da Região Uva e Vinho.
Segundo o portal oficial de turismo do Estado, a região combina arquitetura, história e gastronomia associadas à imigração italiana. Os roteiros incluem visitas a vinícolas, degustações, harmonizações, restaurantes, propriedades rurais e pequenas cidades que preservam aspectos da formação histórica da Serra.
Esse modelo de turismo tem uma característica importante: distribui a visitação por diferentes municípios e não depende apenas de uma estação do ano. Embora o inverno permaneça como período de alta procura, a colheita da uva, os eventos gastronômicos, os roteiros rurais e as experiências em vinícolas ajudam a manter o movimento ao longo do calendário.
O turismo da Serra também se beneficia da proximidade entre os municípios. O visitante pode combinar, em uma mesma viagem, atrações urbanas, atividades de natureza, gastronomia, compras e visitas a empreendimentos familiares. Essa integração favorece a criação de roteiros regionais e aumenta o tempo de permanência dos turistas.
Natureza e aventura ganham espaço
O Rio Grande do Sul também vem sendo associado a destinos de natureza e aventura. Na Região Campos de Cima da Serra, os parques nacionais Aparados da Serra e Serra Geral formam a base de roteiros voltados à contemplação, às trilhas e às paisagens dos cânions. O território inclui municípios conhecidos pelo relevo, pelo clima e pela culinária ligada a ingredientes como pinhão e queijo serrano.
O turismo de natureza aparece ainda em áreas do Vale do Paranhana, onde municípios como Três Coroas, Taquara, Rolante, Riozinho, Igrejinha e Parobé oferecem atividades relacionadas a montanhas, corredeiras, trilhas e Mata Atlântica. A região combina aventura, bem-estar, gastronomia e experiências culturais, segundo a descrição oficial do governo gaúcho.
Outro exemplo está na Quarta Colônia, na região central do Estado. Formada por nove municípios, a região reúne patrimônio natural, paisagens rurais, cultura de origem italiana e o Geoparque Quarta Colônia, reconhecido pela Unesco. O conjunto cria oportunidades para o turismo científico, cultural, rural e de observação da natureza.
A diversificação é estratégica porque amplia o perfil do visitante. Em vez de concentrar a divulgação apenas em viagens de inverno ou em grandes eventos, os municípios passam a promover trilhas, geossítios, roteiros gastronômicos, experiências em propriedades rurais e atividades de educação ambiental.
Destinos históricos e culturais fortalecem o mapa turístico
O patrimônio histórico é outro eixo importante do turismo no Rio Grande do Sul. Na Região das Missões, o Sítio Arqueológico São Miguel Arcanjo é o principal símbolo de um roteiro ligado à presença jesuítica, à história indígena e à formação territorial do Estado. As ruínas da antiga redução fazem parte do conjunto reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade.
O turismo cultural também está presente em Porto Alegre, que concentra museus, edifícios históricos, espaços culturais e roteiros relacionados à formação política e social do Rio Grande do Sul. A capital funciona ainda como porta de entrada para visitantes que seguem para a Serra, o litoral, a região metropolitana e outras áreas do Estado.
Na Costa Doce Gaúcha, municípios como Pelotas, Rio Grande, Jaguarão e São Lourenço do Sul combinam patrimônio arquitetônico, praias, lagoas, tradições culturais e gastronomia. A região tem características diferentes da Serra e amplia a percepção sobre a diversidade turística gaúcha.
Pelotas é reconhecida pela arquitetura histórica e pela tradição dos doces. Rio Grande reúne referências ligadas à história portuária e ao litoral, enquanto São Lourenço do Sul atrai visitantes em busca de atividades junto à Lagoa dos Patos. Jaguarão acrescenta ao roteiro elementos de fronteira e de intercâmbio cultural com o Uruguai.
Turismo de fronteira e identidade regional
A identidade do Pampa aparece com mais força nas regiões Fronteira e Pampa Gaúcho. Municípios como Alegrete, Uruguaiana, São Gabriel, Quaraí e Itaqui trabalham com experiências relacionadas às estâncias, à cultura campeira, à pecuária, à gastronomia e às paisagens abertas.
O turismo rural é um dos principais caminhos para valorizar esse território. Estâncias, atividades ao ar livre, culinária baseada em carnes bovinas e ovinas e manifestações tradicionais ajudam a apresentar uma imagem do Estado diferente daquela associada exclusivamente à Serra Gaúcha.
A proximidade com Argentina e Uruguai também influencia a dinâmica regional. O Rio Grande do Sul é uma importante porta de entrada terrestre para turistas sul-americanos, especialmente argentinos, segundo informações apresentadas em relatório do governo estadual. Esse fluxo beneficia cidades de fronteira, destinos litorâneos e municípios conectados por rodovias internacionais.
Pequenos municípios buscam reconhecimento
O movimento de expansão do turismo inclui cidades menores, que passaram a organizar sua divulgação a partir de características próprias. Ametista do Sul, na região norte, é um exemplo. O município está associado à extração, ao beneficiamento e à produção de ametistas, além de experiências ligadas à arquitetura e à geologia.
A região Rota das Águas e Pedras também reúne balneários hidrominerais, manifestações religiosas e atrativos naturais. Iraí, Vicente Dutra e Frederico Westphalen aparecem entre os municípios que estruturam a oferta regional, de acordo com o site oficial de turismo do Rio Grande do Sul.
No noroeste, a Rota do Rio Uruguai promove balneários, passeios náuticos, pesca e eventos. Santa Rosa, Porto Lucena, Porto Mauá e outros municípios aproveitam a presença do rio e a posição próxima à fronteira para desenvolver atividades de lazer e integração regional.
Esses destinos ainda enfrentam desafios de infraestrutura, divulgação e qualificação dos serviços. Porém, a criação de rotas turísticas ajuda a unir municípios, organizar calendários, ampliar a permanência dos visitantes e distribuir os efeitos econômicos da atividade.
Promoção internacional e recuperação do setor
O governo estadual adotou, em 2025, medidas para reforçar a promoção internacional do turismo. Entre as iniciativas divulgadas pela Secretaria de Turismo está um acordo de cooperação técnica com a Embratur e a Invest RS, com ações voltadas a mercados considerados prioritários.
Também foi lançado um plano de promoção internacional com definição de objetivos, metas e mercados-alvo. A estratégia procura apresentar o Rio Grande do Sul como destino para diferentes épocas do ano e não apenas como opção de inverno ou de turismo na Serra.
Em dezembro de 2025, a campanha “O Sul Te Espera nas Quatro Estações” passou por 21 municípios em 12 dias. A proposta foi estimular o fluxo para destinos de férias de verão e para cidades com atrativos naturais e culturais. A iniciativa sinaliza uma tentativa de descentralizar a promoção turística e dar visibilidade a regiões menos conhecidas do público nacional.
Um Estado com roteiros para diferentes perfis
O destaque das cidades do Rio Grande do Sul no turismo brasileiro não depende de um único destino. Gramado concentra grande parte da visibilidade nacional, mas sua força se conecta a uma rede de municípios e regiões que oferecem experiências distintas.
Há opções para quem busca clima serrano, gastronomia e eventos; para quem prefere vinhos e roteiros rurais; para os interessados em cânions, trilhas e geologia; para visitantes atraídos por praias, lagoas e patrimônio histórico; e para turistas que desejam conhecer a cultura do Pampa e das áreas de fronteira.
Essa diversidade pode ajudar o Estado a reduzir a concentração sazonal e ampliar a circulação de visitantes. Para isso, a consolidação dos destinos depende de planejamento, integração entre municípios, preservação ambiental, qualificação profissional, acessibilidade e informações confiáveis para o turista.
Com a combinação entre destinos já conhecidos e cidades que começam a ganhar projeção, o Rio Grande do Sul reforça sua presença entre os principais polos turísticos do país. O desafio passa a ser transformar o interesse crescente em viagens distribuídas pelo território, com benefícios econômicos e culturais para um número maior de municípios.
Fontes: ranking de destinos nacionais do Melhores Destinos; informativo da Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul; e portal oficial de regiões turísticas do Estado.








