O atletismo vem ocupando espaço maior em projetos esportivos municipais e escolares do Rio Grande do Sul. Em diferentes regiões do Estado, prefeituras, escolas e entidades parceiras passaram a organizar atividades de iniciação, competições e treinamento em provas como corridas, saltos, arremessos e lançamentos.
As iniciativas não se restringem à formação de atletas. O atletismo também aparece como ferramenta de inclusão, convivência, desenvolvimento motor e participação estudantil. A presença da modalidade em programas públicos ajuda a levar o esporte a crianças e adolescentes que nem sempre têm acesso a clubes ou centros especializados.
Em 2026, municípios como Pinhal da Serra e São Sepé realizaram etapas ou atividades relacionadas ao atletismo dentro do calendário dos Jogos Escolares do Rio Grande do Sul, os JERGS. As ações municipais integram uma estrutura que prevê disputas em etapas local, regional e estadual, ampliando a participação dos estudantes e criando caminhos para a identificação de novos talentos. (pinhaldaserra.rs.gov.br)
Esporte escolar funciona como porta de entrada
Uma das principais frentes de expansão do atletismo está nas escolas. Por exigir, em muitos casos, equipamentos mais simples do que modalidades coletivas e depender principalmente de espaços adequados e orientação profissional, a modalidade pode ser adaptada a quadras, campos, pistas e áreas abertas.
No calendário dos JERGS, os estudantes participam de provas de velocidade, resistência, saltos, arremessos e lançamentos. O formato permite que a experiência esportiva comece dentro da própria escola e avance para fases municipais, regionais e estaduais, conforme o desempenho e a classificação dos participantes.
Em Pinhal da Serra, a fase municipal de atletismo realizada em 2026 reuniu alunos de uma escola municipal e de uma escola estadual. A programação incluiu provas de corridas, saltos, arremessos e lançamentos, com participação de estudantes das duas redes de ensino. A prefeitura destacou o caráter de integração e formação da atividade, além da dimensão competitiva. (pinhaldaserra.rs.gov.br)
Em São Sepé, uma etapa de atletismo juvenil serviu como classificatória para os JERGS e foi realizada por meio de parceria entre a Secretaria Municipal de Esportes e o Sesc. O modelo mostra como a cooperação entre poder público e instituições da sociedade pode ampliar a oferta de atividades e reduzir custos de organização. (saosepe.rs.gov.br)
Municípios combinam iniciação e competição
O avanço do atletismo em projetos municipais ocorre em duas frentes. A primeira é a iniciação esportiva, voltada ao contato inicial de crianças e adolescentes com a modalidade. A segunda é a competição, que organiza calendários, estimula a continuidade dos treinos e permite avaliar o desenvolvimento dos participantes.
Essa combinação é importante porque a competição, quando inserida em um ambiente educacional e orientado, pode funcionar como estímulo à permanência no esporte. Ao mesmo tempo, a iniciação evita que as políticas públicas se concentrem apenas em atletas com desempenho elevado.
O município de Rio Grande mantém experiências que articulam educação, esporte e inclusão. O Projeto Paradesporto – Atletismo, desenvolvido desde 2016, atende crianças, adolescentes e jovens com deficiência vinculados à rede municipal de ensino, à assistência social ou à área da saúde. A proposta utiliza o atletismo como prática de esporte educacional e como instrumento de inclusão social. (riogrande.rs.gov.br)
Também em Rio Grande, o antigo programa Atleta na Escola previa a realização de atividades de atletismo em provas de velocidade, resistência e salto em distância, divididas por faixas etárias. O programa buscava democratizar o acesso ao esporte e identificar estudantes com potencial esportivo, mostrando como a escola pode atuar tanto na formação geral quanto na descoberta de talentos. (riogrande.rs.gov.br)
Inclusão amplia o alcance da modalidade
O atletismo tem características que favorecem a participação de públicos diversos. As provas podem ser organizadas de acordo com idade, nível de experiência e condição funcional dos participantes. Essa flexibilidade permite adaptar exercícios e competições, desde que haja acompanhamento técnico, segurança e estrutura compatível.
Projetos de paradesporto são um exemplo dessa possibilidade. Ao oferecer treinamento regular a estudantes com deficiência, as ações públicas criam oportunidades de desenvolvimento físico e social. O objetivo não se limita à preparação para competições: envolve autonomia, convivência e participação em atividades coletivas.
A inclusão também depende de fatores como acessibilidade dos espaços, formação dos profissionais, transporte e comunicação com as famílias. Por isso, a ampliação do atletismo nos municípios exige mais do que a realização de eventos isolados. É necessário garantir continuidade, orientação e condições para que os participantes permaneçam no projeto.
Investimentos em espaços esportivos
A expansão da modalidade está relacionada à disponibilidade de locais adequados. Pistas oficiais não são indispensáveis para todas as atividades de iniciação, mas a prática precisa ocorrer em ambientes seguros, com área suficiente, equipamentos básicos e acompanhamento especializado.
O governo do Rio Grande do Sul abriu, em 2024, edital do programa Avançar + Esporte voltado à criação, recuperação e melhoria de espaços esportivos públicos. A seleção contemplou projetos apresentados por prefeituras para obras em áreas de propriedade dos municípios, com o objetivo de qualificar a infraestrutura disponível para esporte e lazer. (estado.rs.gov.br)
Em abril de 2026, o Estado informou a assinatura de convênios com 13 municípios, em investimento superior a R$ 3,9 milhões por meio do Avançar Mais no Esporte, da Consulta Popular e de emenda parlamentar. Segundo o governo estadual, os recursos foram destinados a diferentes regiões e tiveram como foco a transferência de investimentos para os municípios e a qualificação de espaços públicos. (estado.rs.gov.br)
Embora os recursos não sejam destinados exclusivamente ao atletismo, a melhoria de campos, pistas, ginásios e áreas esportivas pode beneficiar diretamente projetos da modalidade. A existência de espaços públicos bem conservados facilita a realização de treinos, festivais escolares e competições municipais.
Financiamento depende de projetos estruturados
Além dos investimentos diretos em infraestrutura, entidades e associações podem buscar recursos por meio de mecanismos de incentivo ao esporte. A lista de projetos contemplados pelo Pró-Esporte RS – Lei de Incentivo ao Esporte inclui propostas relacionadas ao atletismo e ao paratletismo, com municípios gaúchos entre os locais de realização ou sede das iniciativas.
Entre os projetos registrados no lote de 2024 estão propostas como “Paratletas em Ação 2024”, “Atletismo para Todos – Atletas Paralímpicos 2024” e “Atletismo Master – Rumo ao Mundial”. Os projetos foram apresentados por entidades ou responsáveis individuais e receberam valores distintos conforme a classificação e as regras do programa. (esporte.rs.gov.br)
Em outro lote divulgado pelo governo estadual, o projeto “Pequeno Atleta 2025” aparece entre os contemplados na linha de financiamento voltada ao desenvolvimento educacional do esporte e lazer. A proposta teve como município-sede Marau, reforçando a presença de iniciativas de formação esportiva fora dos grandes centros. (esporte.rs.gov.br)
Esse tipo de financiamento exige planejamento, prestação de informações e definição de público, metas e atividades. Para os municípios e entidades, a elaboração de projetos consistentes pode ser decisiva para garantir a continuidade das ações e evitar que o atletismo dependa apenas de eventos pontuais.
Desafios para consolidar os projetos
Apesar do crescimento de iniciativas, a consolidação do atletismo municipal ainda depende de fatores como orçamento, disponibilidade de profissionais, manutenção dos espaços e integração entre as secretarias de Esporte e Educação.
Outro desafio é assegurar que os projetos tenham continuidade ao longo do ano. Competições escolares são importantes para mobilizar os estudantes, mas o desenvolvimento esportivo exige atividades regulares. Sem treinos frequentes, acompanhamento e calendário, a participação tende a ficar concentrada em ações isoladas.
A permanência dos alunos também depende de políticas que considerem as desigualdades entre municípios. Cidades menores podem ter dificuldade para manter equipes técnicas, adquirir equipamentos e transportar atletas para competições regionais. Parcerias com escolas, universidades, federações, clubes e empresas podem ajudar a superar parte dessas limitações.
O planejamento deve incluir ainda critérios de segurança. Corridas, saltos, arremessos e lançamentos exigem atividades adequadas à faixa etária, preparação física progressiva e controle dos espaços de treino. A orientação profissional é essencial para reduzir riscos e garantir que a prática contribua para a saúde e o desenvolvimento dos participantes.
Modalidade pode fortalecer políticas públicas
A presença do atletismo em projetos municipais amplia a oferta esportiva e diversifica as oportunidades para crianças e adolescentes. Por reunir várias provas, a modalidade permite que os participantes encontrem diferentes formas de identificação com o esporte, seja pela velocidade, resistência, potência, coordenação ou técnica.
As experiências recentes no Rio Grande do Sul mostram que o atletismo pode ser incorporado a diferentes políticas públicas: educação, esporte, inclusão e lazer. Os JERGS oferecem uma estrutura de competição escolar; os projetos de paradesporto ampliam o acesso de pessoas com deficiência; e os programas de infraestrutura criam condições para o uso regular dos espaços.
O resultado mais importante, porém, não se mede apenas pelo número de medalhas. A participação em atividades esportivas pode contribuir para a convivência, a disciplina, a autoestima e a criação de vínculos com a escola e a comunidade. Para que esse potencial se confirme, os projetos precisam ser contínuos, acessíveis e acompanhados por profissionais capacitados.
Com a combinação de calendário escolar, investimentos públicos e parcerias locais, o atletismo tende a ocupar uma função mais ampla nas cidades gaúchas. A modalidade deixa de ser vista apenas como caminho para o alto rendimento e passa a integrar estratégias de formação, inclusão e promoção da qualidade de vida.


